Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sentimentos. Mostrar todas as postagens

Amor-próprio não é um mar de rosas: é escolher a si mesma até quando dói

Amor-próprio não é um mar de rosas: é escolher a si mesma até quando dói


Existe uma versão do amor-próprio que parece muito bonita nas redes sociais. Nela, a gente aprende a reconhecer o próprio valor, estabelece limites, afasta tudo aquilo que não nos faz bem e, de repente, a vida começa a fluir. As pessoas certas chegam, as erradas vão embora e nós finalmente encontramos aquela paz que tanto procurávamos.

É uma narrativa bonita, mas um pouco distante da realidade.

Porque ninguém nos conta que, às vezes, a escolha certa também machuca. Que estabelecer limites pode significar perder pessoas de quem gostamos muito. Que sair de uma relação que não nos oferece aquilo de que precisamos não impede que sintamos saudade. E que romper uma amizade que já não nos faz bem não apaga os anos de carinho, as lembranças ou a importância que aquela pessoa teve na nossa vida.

Talvez tenhamos aprendido a romantizar tanto o amor-próprio que esquecemos que ele também tem dias difíceis.

Amar a si mesma não significa viver em um estado permanente de segurança, confiança e felicidade. Não significa nunca mais se sentir insuficiente, nunca mais ter medo de perder alguém ou nunca mais desejar que uma situação tivesse terminado de outra maneira.

Significa aprender a cuidar de si também quando esses sentimentos aparecem.

E essa é uma aprendizagem que não termina.

Amar a si mesma é um exercício diário, não uma conquista definitiva


A gente gosta de imaginar que existe um momento em que finalmente chegamos lá. Um dia em que estaremos tão bem resolvidas que nada nem ninguém conseguirá abalar a nossa paz. Como se o amor-próprio fosse um destino, uma espécie de certificado que recebemos depois de superar as nossas inseguranças.

Mas a vida não funciona assim.

Há dias em que conseguimos reconhecer os nossos limites com clareza. Em outros, sentimos vontade de abrir uma exceção para alguém de quem gostamos. Há momentos em que sabemos exatamente o que merecemos e outros em que precisamos nos lembrar de tudo o que já aprendemos para não voltar a aceitar situações que nos machucam.

E isso não significa que regredimos.

Somos pessoas em constante transformação, atravessadas por experiências, desejos, carências, medos e contradições. O que conseguimos fazer com tranquilidade hoje talvez seja difícil amanhã. Uma decisão que parecia muito clara pode se tornar dolorosa quando precisamos lidar com as consequências dela.

O amor-próprio precisa ser cultivado justamente porque não estamos imunes às nossas próprias fragilidades.

É escolher descansar quando estamos acostumadas a nos cobrar demais. É reconhecer que precisamos mudar de direção, mesmo depois de investir tanto tempo em um caminho. É ter coragem para admitir que uma relação não está funcionando, que uma amizade deixou de ser saudável ou que estamos insistindo em alguma coisa apenas porque temos medo de perder o que já conhecemos.

E, principalmente, é compreender que não precisamos acertar todas as vezes para continuar merecendo o nosso próprio cuidado.

Amar a si mesma não é nunca mais se abandonar. É perceber quando isso está acontecendo e encontrar, mais uma vez, o caminho de volta.

Algumas escolhas necessárias também são despedidas


Talvez uma das maiores ilusões sobre o amor-próprio seja acreditar que, quando finalmente aprendemos a nos valorizar, fica fácil ir embora.

Não fica.

Às vezes, a gente sabe que precisa se afastar de alguém e, mesmo assim, gostaria que existisse outra solução. Gostaria que a pessoa compreendesse o que estamos sentindo, que as coisas pudessem ser diferentes ou que o carinho que existe entre nós fosse suficiente para fazer a relação funcionar.

Não queremos necessariamente perder aquela pessoa. Queremos apenas deixar de sofrer na relação com ela.

Mas nem sempre podemos escolher as duas coisas.

Há relações em que permanecer significa abrir mão de necessidades importantes. Amizades em que precisamos silenciar desconfortos para não criar conflitos. Vínculos em que recebemos carinho, mas não a reciprocidade de que precisamos. Situações em que continuamos esperando uma mudança que talvez nunca aconteça.

E chega um momento em que precisamos decidir o que fazer com tudo isso.

O problema é que escolher a nós mesmas não significa deixar de gostar do outro.

Podemos nos afastar de alguém e continuar torcendo pela sua felicidade. Podemos encerrar uma amizade e sentir falta das conversas. Podemos reconhecer que uma relação amorosa não tem futuro e ainda desejar que tivesse dado certo.

A decisão de ir embora não apaga o sentimento que nos fez querer ficar.

Talvez seja justamente por isso que algumas escolhas exijam tanto de nós. Não estamos necessariamente deixando para trás algo que nunca teve valor. Estamos, muitas vezes, abrindo mão de algo que foi importante porque compreendemos que a importância de uma relação não é suficiente para torná-la boa para nós em todas as circunstâncias.

E existe uma tristeza muito particular em aceitar isso.

Nem toda despedida acontece porque deixamos de amar. Algumas acontecem porque precisamos parar de nos machucar tentando fazer caber na nossa vida aquilo que, da maneira como existe, já não nos faz bem.

Nem tudo vai sair como queremos, mesmo quando fazemos a escolha certa


Existe outra coisa que precisamos aceitar: o amor-próprio não nos dá controle sobre os resultados da vida.

Podemos tomar uma decisão difícil, respeitar os nossos limites e ainda assim terminar com o coração partido. Podemos sair de uma relação que não nos fazia bem e passar meses sentindo falta daquela pessoa. Podemos romper uma amizade que já não fazia sentido e perceber que a solidão deixada por ela é maior do que imaginávamos.

Podemos fazer tudo aquilo que acreditamos ser necessário e, ainda assim, não encontrar imediatamente a paz que esperávamos.

E o que fazemos quando isso acontece?

Será que começamos a duvidar da nossa decisão? Será que pensamos que talvez devêssemos ter tolerado um pouco mais, esperado um pouco mais ou tentado mais uma vez?

Às vezes, sim.

Porque é difícil lidar com a ideia de que uma escolha pode ser necessária e continuar doendo. Gostaríamos que a vida nos recompensasse imediatamente por termos tido coragem. Que, depois de uma despedida, viesse uma sensação de alívio tão grande que não sobrasse espaço para a saudade.

Mas não existe essa garantia.

O amor-próprio não é uma negociação com a vida. Não fazemos escolhas saudáveis para receber, em troca, uma existência sem decepções. Não estabelecemos limites para garantir que as pessoas vão nos respeitar, nem encerramos relações para assegurar que encontraremos alguém melhor.

Fazemos essas escolhas porque precisamos ser honestas com aquilo que conseguimos viver, com o que desejamos e com o que já não queremos aceitar.

O resultado nem sempre está nas nossas mãos.

Talvez a pessoa não volte. Talvez a amizade não possa ser recuperada. Talvez o relacionamento seguinte também não dê certo. Talvez um projeto pelo qual nos dedicamos muito não aconteça como planejamos.

E nada disso significa, por si só, que falhamos em amar a nós mesmas.

A vida continua sendo imprevisível, mesmo quando aprendemos a fazer escolhas mais conscientes.
Amor-próprio também é aprender a conviver com a inconstância

Somos seres inconstantes. Mudamos de opinião, de desejos, de planos e de sentimentos. Há dias em que estamos cheias de coragem e outros em que temos vontade de voltar para tudo aquilo que nos era familiar, mesmo quando sabemos que já não nos fazia bem.

Às vezes, temos certeza de que estamos no caminho certo. Em outras ocasiões, olhamos para trás e sentimos saudade daquilo que escolhemos deixar.

Acho que existe muita humanidade nisso.

Durante muito tempo, talvez tenhamos acreditado que amadurecer significava chegar a um ponto em que não teríamos mais dúvidas. Que uma pessoa segura de si não sentiria vontade de voltar atrás, não se arrependeria e não seria afetada pelas próprias escolhas.

Mas segurança não é ausência de conflito.

Podemos sentir saudade e continuar sabendo por que fomos embora. Podemos sentir medo e ainda assim tomar uma decisão importante. Podemos ter dias de insegurança sem que todo o nosso progresso desapareça.

O amor-próprio também está em não transformar cada oscilação emocional em uma sentença sobre quem somos.

Sentir falta não significa que precisamos voltar. Sentir solidão não significa que devemos aceitar qualquer companhia. Ter dúvidas não significa que fomos incapazes de tomar uma decisão.

E, se em algum momento percebermos que erramos, também podemos rever as nossas escolhas. Amar a nós mesmas não exige rigidez, muito menos a obrigação de provar que sempre estivemos certas.

Talvez a verdadeira maturidade esteja em aprender a escutar o que sentimos sem permitir que cada sentimento determine imediatamente o que faremos.

Porque nem toda vontade precisa virar ação. Nem toda saudade é um convite para recomeçar. E nem toda dor é um sinal de que escolhemos o caminho errado.

Às vezes, a dor é apenas parte do caminho que precisamos atravessar.

Não precisamos estar bem o tempo inteiro para estarmos cuidando de nós


Existe uma cobrança silenciosa em torno do desenvolvimento pessoal. Além de lidar com as dificuldades da vida, precisamos demonstrar que estamos lidando com elas da maneira correta. Precisamos ser resilientes, estabelecer limites, reconhecer padrões, amadurecer e transformar cada experiência dolorosa em uma grande lição.

Até o sofrimento parece precisar ter alguma utilidade.

Mas e se, em alguns momentos, tudo o que conseguirmos fazer for sentir?

E se precisarmos de tempo para compreender uma despedida? E se houver dias em que a saudade for maior do que a nossa disposição para seguir em frente? E se, mesmo sabendo que precisamos cuidar de nós, ainda sentirmos vontade de ser escolhidas por alguém que não nos escolheu da mesma maneira?

Não precisamos nos envergonhar dessas contradições.

O amor-próprio não deveria ser mais uma meta impossível, mais um padrão de comportamento que usamos para julgar a nós mesmas. Não precisamos transformar cada tristeza em uma oportunidade de crescimento, nem encontrar uma explicação bonita para tudo o que nos acontece.

Podemos simplesmente reconhecer que estamos sofrendo.

Podemos admitir que uma escolha foi necessária e que gostaríamos que ela não tivesse sido necessária. Podemos aceitar que uma pessoa fez parte da nossa história e que não sabemos ainda como nos acostumar à sua ausência.

Cuidar de nós também é respeitar o tempo que levamos para processar as coisas.

Não precisamos apressar a recuperação para provar que somos fortes. Não precisamos fingir indiferença para demonstrar que superamos alguém. Não precisamos estar sempre confiantes para continuar merecendo respeito, carinho e paciência, inclusive de nós mesmas.

Há momentos em que o maior gesto de amor-próprio não é fazer alguma coisa extraordinária.

É apenas não se tratar com crueldade enquanto tentamos descobrir como seguir em frente.
Talvez amar a si mesma seja aprender a permanecer ao seu lado

No fim das contas, acho que o amor-próprio tem muito menos a ver com uma vida perfeita do que costumamos imaginar.

Não é sobre nunca mais sofrer por alguém, nunca mais perder uma amizade ou nunca mais se decepcionar. Não é sobre se tornar uma pessoa tão resolvida que nada consiga nos atingir.

É sobre construir uma relação conosco que possa sobreviver também aos dias em que não estamos bem.

É continuar nos respeitando quando sentimos saudade. É não diminuir as nossas necessidades para evitar uma despedida. É reconhecer os nossos erros sem transformar cada um deles em uma prova de que não somos suficientes. É compreender que a vida pode não corresponder às nossas expectativas sem que precisemos abandonar quem somos para tentar controlar seus resultados.

E é aceitar que, mesmo depois de aprendermos tanta coisa, continuaremos tendo momentos de fragilidade.

Talvez, em alguns dias, o amor-próprio seja a coragem de ir embora. Em outros, seja a paciência de permanecer em uma situação difícil enquanto encontramos uma solução. Às vezes, será estabelecer um limite. Em outras, reconhecer que precisamos rever um limite que já não faz sentido.

Não existe uma única maneira de praticá-lo, porque nós também não somos sempre as mesmas.

O que existe é a possibilidade de continuar construindo essa relação, dia após dia, sem exigir que ela seja perfeita.

Talvez a gente nunca chegue a um lugar em que todas as nossas escolhas sejam fáceis, todas as despedidas sejam tranquilas e todos os nossos desejos encontrem correspondência na realidade.

Talvez a vida continue nos surpreendendo, mudando os planos e nos obrigando a rever aquilo que acreditávamos saber.

E tudo bem.

Amar a si mesma não significa conseguir fazer com que a vida seja exatamente como tu queres. Significa aprender a viver com aquilo que não podes controlar sem perder completamente de vista aquilo que depende de ti.

Significa entender que podes sentir falta de alguém sem precisar voltar, que podes estar triste sem estar fracassando e que podes mudar de ideia sem deixar de respeitar a pessoa que foste ontem.

No fundo, talvez o amor-próprio não seja a promessa de que tudo vai dar certo.

Talvez seja o compromisso de não abandonar a nós mesmas quando as coisas não saem como gostaríamos.

E, em uma vida cheia de incertezas, mudanças e despedidas, isso já é muita coisa.


QUERO LER O POST COMPLETO

É difícil esquecer alguém que, antes de ser amor, era amizade

É difícil esquecer alguém que, antes de ser amor, era amizade


Existe uma dificuldade particular em esquecer alguém que, antes de despertar qualquer sentimento romântico, já ocupava um lugar bonito na nossa vida. Alguém com quem a gente conversava, compartilhava pensamentos, ria de coisas bobas e construía, aos poucos, uma amizade que parecia ter valor por si só.

Então, em algum momento, alguma coisa muda. Ou talvez não mude exatamente, apenas passe a ser sentida de outra maneira por uma das pessoas.

O carinho ganha outra dimensão. A vontade de conversar se mistura à vontade de estar perto. Os encontros passam a significar um pouco mais, e aquilo que antes era simplesmente uma amizade começa a carregar a esperança de que poderia se transformar em alguma coisa bonita.

E, por um breve período, a gente se permite imaginar.

Não necessariamente um futuro inteiro, uma casa ou uma vida compartilhada. Às vezes, é só a possibilidade de continuar conhecendo alguém, de descobrir até onde aquela conexão poderia chegar, de perceber que talvez duas pessoas que já gostavam da companhia uma da outra pudessem também gostar de se amar.

Mas nem sempre os sentimentos crescem na mesma direção.

Às vezes, tu gostas de alguém de uma maneira que essa pessoa não consegue corresponder. Ela pode gostar da tua companhia, ter carinho por ti, sentir saudade das conversas e até reconhecer o quanto tu és especial. Mas nada disso significa, necessariamente, que ela queira construir contigo o mesmo tipo de relação que tu desejas.

E essa é uma das partes mais difíceis de aceitar: alguém pode gostar de ti sem gostar de ti da maneira que tu precisas.

Não existe, necessariamente, um culpado nessa história. Sentimentos não são uma dívida, e ninguém deveria precisar corresponder ao afeto de outra pessoa apenas porque recebeu carinho. Mas reconhecer a liberdade do outro de não sentir o mesmo também não significa que tu precisas permanecer em um lugar que machuca.

É aí que começa o conflito.

Porque, se fosse apenas alguém por quem tu te apaixonaste e que não correspondeu, talvez o afastamento parecesse mais simples. Seria possível reconhecer a incompatibilidade, aceitar a decepção e tentar seguir em frente.

Mas como fazer isso quando a pessoa também era tua amiga?

Como deixar de procurar alguém com quem tu gostavas de conversar? Como ignorar a vontade de compartilhar uma descoberta, contar alguma coisa engraçada ou perguntar como foi o dia de alguém que, até pouco tempo atrás, fazia parte da tua rotina?

Como transformar em distância uma proximidade que, antes de qualquer expectativa romântica, era genuína?

A gente não perde apenas a possibilidade de viver uma história de amor. Perde também, pelo menos temporariamente, o lugar que ocupava na vida daquela pessoa. E talvez seja justamente isso que torne tudo tão doloroso.

Não é só sobre deixar de gostar de alguém. É sobre aprender a viver sem uma presença que tu não queria perder.

Quando permanecer por perto começa a machucar


Existe uma parte de nós que gostaria de acreditar que é possível voltar ao que existia antes. Que basta diminuir as expectativas, controlar os sentimentos e aceitar que aquela pessoa nunca será mais do que uma amizade.

E talvez, em algumas histórias, isso seja possível.

Mas há situações em que permanecer por perto significa conviver diariamente com a diferença entre aquilo que tu sentes e aquilo que o outro está disposto a oferecer. É estar presente, mas precisar esconder a vontade de ser mais do que uma amiga. É receber carinho e tentar não interpretar esse carinho como esperança. É torcer para que a pessoa te procure, mas fingir que tanto faz quando ela não procura.

Aos poucos, uma amizade que antes fazia bem começa a doer.

Não porque tenha sido falsa, mas porque os sentimentos mudaram a maneira como tu consegues vivê-la.

E é muito difícil admitir isso quando a gente não queria perder a amizade. Existe uma espécie de culpa em precisar se afastar de alguém que não fez nada de errado simplesmente por não sentir o mesmo. Como se o afastamento fosse uma punição, uma demonstração de imaturidade ou uma incapacidade de aceitar a realidade.

Mas nem todo afastamento é uma tentativa de fazer o outro sentir a nossa falta. Às vezes, é apenas a maneira mais honesta de reconhecer que ainda não conseguimos estar perto sem alimentar uma esperança que precisa morrer para que a gente possa seguir em frente.

Tu podes compreender os sentimentos de alguém, respeitar a liberdade dessa pessoa e, ainda assim, precisar de distância.

As duas coisas podem existir ao mesmo tempo.

Não aceitar migalhas também significa abrir mão do pouco que ainda existe


Existe uma dor muito particular em perceber que, para se preservar, talvez seja necessário abrir mão até daquilo que ainda é possível receber.

Porque, mesmo que o outro não queira um relacionamento contigo, talvez ainda queira conversar. Talvez continue procurando tua companhia de vez em quando, mandando mensagens, fazendo brincadeiras e mantendo uma proximidade que, para ele, é confortável.

E tu podes até gostar desses momentos. É claro que gostas. Afinal, não deixaste de gostar da pessoa de uma hora para outra.

O problema é quando esses pequenos momentos de proximidade passam a sustentar uma expectativa que não encontra correspondência na realidade.

Uma mensagem desperta esperança. Um encontro faz imaginar possibilidades. Um gesto carinhoso parece anunciar uma mudança que talvez nunca aconteça. E, quando tudo volta ao normal, tu te encontras novamente tentando entender o que significou aquilo que, para o outro, talvez não tenha significado tanto.

É assim que a gente pode acabar aceitando menos do que gostaria, não necessariamente porque não conheça o próprio valor, mas porque ainda está emocionalmente envolvida com alguém de quem não queria se despedir.

Por isso, às vezes, a decisão de se afastar precisa ser completa.

Não para provocar saudade. Não para testar se a pessoa vai correr atrás. Não para transformar a ausência em uma estratégia de conquista.

Mas porque continuar disponível para uma relação que te oferece menos do que tu desejas pode significar adiar indefinidamente a tua própria recuperação.

Tu não precisas transformar o carinho que sentes por alguém em uma autorização para permanecer em uma situação que te machuca.

E talvez essa seja uma das formas mais difíceis de amor-próprio: aceitar que sentir falta não é motivo suficiente para voltar, assim como receber atenção não significa que finalmente estás recebendo aquilo que desejavas.

O luto por uma amizade que também precisou ficar para trás


O que torna essa despedida tão confusa é que não existe necessariamente uma ruptura explícita. Ninguém precisa ter brigado, dito coisas cruéis ou terminado uma relação longa para que exista uma perda real.

Às vezes, as duas pessoas simplesmente percebem que não desejam a mesma coisa.

E, mesmo assim, alguém precisa se afastar.

A outra pessoa pode não compreender completamente essa necessidade. Pode até sentir falta da amizade e não entender por que não é possível continuar como antes. Afinal, na perspectiva dela, talvez tudo pudesse permanecer exatamente no mesmo lugar.

Mas não permanece.

Porque quem desenvolveu sentimentos precisa reaprender a estar no mundo sem procurar significados em cada gesto. Precisa parar de esperar mensagens, resistir à vontade de compartilhar pequenas coisas e aceitar que aquela intimidade não poderá continuar da mesma maneira, pelo menos enquanto o sentimento ainda estiver presente.

É uma despedida sem cerimônia. Não há necessariamente uma última conversa que resolva tudo, nem uma frase definitiva capaz de organizar o que ficou confuso.

Existe apenas a decisão de parar de alimentar uma proximidade que impede o coração de compreender aquilo que a razão já entendeu.

E isso também é luto.

Um luto por aquilo que poderia ter sido, mas não foi. Pela amizade que existiu antes das expectativas. Pelas conversas que faziam parte dos dias. Pela familiaridade de saber que havia alguém com quem tu podias contar, mesmo que agora seja preciso aprender a não contar mais.

Talvez ninguém de fora compreenda a dimensão dessa perda. Afinal, foi breve. Talvez nem tenha sido um namoro. Talvez as outras pessoas achem que não havia tempo suficiente para sentir tanto.

Mas a duração de uma história não determina sozinha a profundidade do que sentimos.

Às vezes, o que dói não é o tempo que passamos com alguém, mas o espaço que essa pessoa conseguiu ocupar dentro de nós.

Seguir em frente não significa deixar de sentir saudade


Existe uma expectativa de que, quando tomamos uma decisão para nos preservar, precisamos sustentá-la com firmeza absoluta. Como se, depois de reconhecer que uma situação não nos faz bem, a saudade deixasse de existir.

Mas não é assim que funciona.

Tu podes ter certeza de que precisas te afastar e, ainda assim, sentir vontade de mandar uma mensagem. Podes reconhecer que não existe reciprocidade suficiente para construir um relacionamento e, mesmo assim, sentir falta da voz, do humor e da presença daquela pessoa.

Podes saber que fizeste a escolha mais saudável para ti e chorar por ela.

Nada disso significa que a tua decisão esteja errada.

Significa apenas que o coração não acompanha imediatamente as conclusões que a razão alcança. Entender que uma relação não pode ser vivida da maneira que desejamos é diferente de deixar de desejar essa relação.

E talvez seja necessário parar de exigir de nós mesmos uma indiferença que ainda não existe.

O objetivo do afastamento não precisa ser esquecer alguém de um dia para o outro. Pode ser simplesmente criar espaço para que a lembrança deixe de comandar as nossas escolhas. Para que a saudade exista sem que precisemos agir sobre ela. Para que a vontade de procurar o outro não seja mais forte do que a vontade de cuidar de nós mesmos.

Com o tempo, talvez a gente volte a pensar naquela pessoa sem imaginar o que poderia ter acontecido. Talvez as lembranças deixem de carregar tantas perguntas. Talvez seja possível reconhecer que houve carinho, que existiu uma conexão bonita e que, ainda assim, aquilo não era suficiente para construir a relação que desejávamos.

Não precisamos transformar uma história que não deu certo em uma história ruim para conseguir deixá-la para trás.

Podemos preservar o que foi verdadeiro sem continuar tentando recuperar o que não pode ser vivido da mesma maneira.

Algumas pessoas não deixam de ser importantes, mas deixam de poder ocupar o mesmo lugar


Talvez essa seja a parte que mais demore a fazer sentido.

A pessoa de quem precisamos nos afastar não precisa ter sido ruim. A amizade não precisa ter sido uma mentira. Os momentos bons não precisam ser apagados para justificar a decisão de ir embora.

É possível gostar de alguém e reconhecer que a proximidade já não faz bem. É possível desejar que a pessoa seja feliz e, ao mesmo tempo, aceitar que talvez não possamos continuar acompanhando a vida dela de perto.

Não existe crueldade em reconhecer os próprios limites.

E não existe fracasso em admitir que uma amizade, depois de um envolvimento romântico, já não pode ser vivida com a mesma leveza de antes.

Talvez um dia os sentimentos mudem. Talvez a vida coloque essas duas pessoas em lugares diferentes, onde seja possível olhar para o passado sem desejar revivê-lo. Talvez uma amizade possa ser reconstruída. Ou talvez os caminhos simplesmente continuem separados.

Não precisamos decidir tudo agora.

Por enquanto, pode ser suficiente respeitar o que sentimos, aceitar o que não foi correspondido e compreender que a distância não apaga a importância de alguém. Ela apenas reconhece que, neste momento, permanecer perto custa mais do que conseguimos oferecer sem nos machucar.

E, por mais triste que seja, existe dignidade nessa escolha.

Porque gostar de alguém não deveria exigir que a gente se acostumasse a receber menos do que deseja. Não deveria nos obrigar a permanecer disponíveis para uma possibilidade que o outro já não pretende construir. Muito menos deveria significar abandonar a nós mesmos para preservar uma relação a qualquer custo.

Às vezes, seguir em frente começa justamente quando paramos de tentar encontrar uma maneira de continuar na vida de alguém e começamos a descobrir como queremos continuar na nossa.

Talvez eu ainda sinta saudade. Talvez algumas lembranças ainda apertem o peito. Talvez, por algum tempo, eu ainda queira contar certas coisas para aquela pessoa.

Mas posso sentir tudo isso sem voltar atrás.

Posso reconhecer que ela foi importante sem insistir em permanecer perto. Posso sentir falta da amizade, lamentar o romance que não aconteceu e, ainda assim, escolher não alimentar aquilo que me impede de seguir em frente.

Porque o afastamento não significa que eu nunca quis que desse certo.

Talvez signifique justamente o contrário: eu quis tanto que desse certo que precisei aceitar que não poderia continuar vivendo de possibilidades.

E, agora, preciso aprender a me despedir não apenas da pessoa por quem me apaixonei, mas também daquela amizade que eu gostaria de ter conseguido preservar.

Essa talvez seja a parte mais triste de tudo.

Mas também pode ser o começo de uma relação diferente comigo mesma. Uma em que eu não precise diminuir o que desejo para caber no que alguém pode me oferecer.

Uma em que o carinho pelo outro não seja maior do que o compromisso de não me abandonar.

E em que, mesmo sentindo saudade, eu consiga escolher a paz de não esperar mais por aquilo que não vem.

É difícil esquecer alguém que, antes de ser amor, era amizade

QUERO LER O POST COMPLETO

Mesmo que mude, algumas pessoas continuam morando na gente

Mesmo que mude, algumas pessoas continuam morando na gente


Esses dias, me peguei pensando no meu primeiro amor.

Faz dezessete anos. É quase uma vida inteira, se a gente parar para pensar em tudo o que pode acontecer nesse intervalo de tempo. Eu era adolescente, tinha outras preocupações, outros sonhos e uma ideia muito diferente do que significava gostar de alguém.

Hoje, quando tento me lembrar daquela pessoa, percebo que já não consigo recuperar tantos detalhes. Não sei dizer com precisão quais eram as coisas de que eu mais gostava nela, quais conversas me faziam perder a hora ou o que exatamente me encantava tanto. Algumas lembranças ficaram pelo caminho, outras se misturaram com tantas coisas que aconteceram depois.

É estranho pensar que alguém que um dia ocupou tanto espaço nos nossos pensamentos pode, com o passar dos anos, se tornar quase uma lembrança sem contornos.

Mas, apesar de já não lembrar de tanta coisa, ainda guardo essa pessoa no coração com carinho. Existe uma espécie de admiração que permaneceu, mesmo depois de todo esse tempo, mesmo sem convivência, mesmo sem saber direito quem ela é hoje.

E fiquei pensando em como isso é curioso.

Como alguém pode continuar fazendo parte da gente quando já não lembramos direito de quem essa pessoa era?

Éramos tão jovens que não sabíamos muito bem o que fazer com o que sentíamos


Quando penso naquela época, não consigo deixar de imaginar quantas coisas poderiam ter sido diferentes se tivéssemos um pouco mais de maturidade.

Talvez nos faltasse comunicação. Talvez não soubéssemos dizer o que sentíamos, perguntar o que o outro queria ou explicar aquilo que nos machucava. Talvez esperássemos que algumas coisas fossem compreendidas sem precisar ser ditas, como se gostar de alguém fosse suficiente para que duas pessoas soubessem automaticamente como ficar juntas.

Mas não era.

A gente ainda estava aprendendo a ser gente, a entender os próprios sentimentos, a lidar com as inseguranças e a descobrir que o outro não tem como adivinhar aquilo que se passa dentro da nossa cabeça.

Hoje, consigo olhar para aquela história com um pouco mais de ternura. Não porque saiba exatamente o que aconteceu ou porque tenha certeza de que tudo poderia ter sido diferente, mas porque entendo que éramos jovens demais para algumas coisas.

Talvez não tenha faltado sentimento. Talvez tenha faltado saber o que fazer com ele.

E existe uma tristeza particular em pensar nas histórias que não tiveram continuidade não necessariamente porque deixamos de gostar, mas porque ainda não sabíamos como construir alguma coisa a partir do que sentíamos.

Não sei se teríamos dado certo se fôssemos mais velhos. Não sei quem seríamos um ao lado do outro, nem se nossas vidas teriam seguido os mesmos caminhos. A maturidade poderia ter nos ajudado a conversar melhor, mas não seria uma garantia de que a história teria durado.

A vida não nos oferece a possibilidade de voltar para descobrir.

Só nos permite olhar para trás com aquilo que aprendemos desde então.

Dezessete anos depois, já não sei se sinto saudade ou se sinto carinho por quem fomos


Às vezes, acho que a saudade é uma palavra pequena demais para algumas lembranças.

Porque não sei se sinto falta daquela pessoa ou se sinto carinho pela época em que ela fez parte da minha vida. Não sei se gostaria de reviver alguma coisa ou se apenas gosto de saber que aquilo aconteceu.

Talvez seja um pouco dos dois. Talvez seja outra coisa, para a qual eu ainda não encontrei um nome.

Não tenho a mesma urgência de antes. Não fico imaginando como seria se nos encontrássemos, nem preciso que aquela história tenha um desfecho diferente para reconhecer o que significou para mim.

É como se a lembrança tivesse deixado de pedir alguma coisa.

Ela simplesmente existe.

E eu gosto disso. Gosto de poder lembrar de alguém sem precisar transformar a lembrança em uma pergunta sobre o que poderia ter sido. Gosto de pensar que, apesar de todas as coisas que mudaram, ainda consigo olhar para essa pessoa com carinho, sem precisar que ela volte a ocupar um lugar na minha vida.

Talvez amadurecer também seja aprender que nem todo sentimento precisa ser resolvido. Alguns só precisam encontrar um lugar tranquilo dentro da gente.
As pessoas que amamos também participam de quem nos tornamos

Existe algo que me encanta nessa ideia de que somos feitos, em parte, das pessoas que passaram pelas nossas vidas.

Não apenas daquelas que permaneceram. Também daquelas com quem dividimos uma fase, uma conversa, uma descoberta ou uma versão de nós mesmos que já não existe.

Talvez meu primeiro amor tenha feito parte de quem eu me tornei de maneiras que hoje não consigo identificar. Talvez algumas das coisas que aprendi sobre gostar de alguém tenham começado ali. Talvez aquela experiência tenha deixado perguntas que só consegui responder muitos anos depois.

Ou talvez eu esteja apenas tentando encontrar sentido em uma lembrança que guardo porque ela é importante para mim.

E tudo bem.

Nem precisamos conseguir explicar exatamente como alguém nos marcou para reconhecer que essa pessoa teve um lugar na nossa história.

A gente costuma pensar que superar um amor significa deixar de sentir qualquer coisa, como se o único jeito de seguir em frente fosse apagar o passado. Mas hoje me parece que existem outras possibilidades.

Podemos deixar de querer uma vida com alguém e continuar desejando que essa pessoa tenha uma vida bonita. Podemos não sentir mais aquela paixão de antes e ainda guardar uma admiração sincera. Podemos passar anos sem pensar em alguém e, de repente, lembrar com carinho, sem que isso signifique que estamos presos ao passado.

Talvez algumas pessoas deixem de fazer parte da nossa rotina, mas nunca desapareçam completamente da nossa história.

Elas passam a existir de outra maneira. Não como uma presença que esperamos reencontrar, mas como parte daquilo que vivemos e que, de alguma forma, nos trouxe até aqui.

Nem todo amor precisa continuar para ter sido importante


Durante muito tempo, talvez a gente aprenda a olhar para as histórias de amor como se todas precisassem chegar a algum lugar.

Ou ficam juntas, ou terminam como se tivessem fracassado. Ou existe um reencontro, ou precisamos acreditar que não significaram tanto assim. Como se a importância de uma relação pudesse ser medida pelo tempo que duas pessoas conseguiram permanecer uma na vida da outra.

Mas e se algumas histórias forem importantes justamente porque aconteceram naquele momento?

A adolescência tem uma maneira muito particular de fazer tudo parecer definitivo. A gente sente como se aquele amor fosse o único possível, como se o mundo inteiro estivesse concentrado na presença de uma pessoa. Depois, a vida acontece. Crescemos, mudamos, conhecemos outras pessoas, nos decepcionamos, aprendemos a estabelecer limites e passamos a compreender coisas que antes pareciam impossíveis.

E, quando olhamos para trás, percebemos que aquela história não precisava ter durado para continuar tendo valor.

Não quero romantizar o que não deu certo, nem fingir que a falta de comunicação não teve consequências. Talvez tivéssemos conseguido construir algo bonito se soubéssemos conversar melhor. Talvez não. Nunca vou saber.

O que sei é que não preciso transformar aquela história em um erro só porque ela não teve continuidade.

Ela foi parte da minha vida. Foi parte de quem eu era. E talvez isso já seja motivo suficiente para guardá-la com carinho.

Talvez seja isso que significa amar alguém, mesmo que tudo mude


Não sei se ainda amo meu primeiro amor da adolescência. Depende do que a gente entende por amor.

Se amar significa querer estar junto, dividir a rotina, construir planos e continuar escolhendo uma pessoa no presente, talvez não seja esse o sentimento que existe hoje.

Mas, se também existe amor no carinho que permanece, na admiração que resiste ao tempo e na capacidade de desejar que alguém seja feliz mesmo longe de nós, então talvez exista alguma coisa desse sentimento que ainda vive aqui.

Não como antes. Não com a mesma intensidade, nem com os mesmos desejos.

Talvez o tempo tenha mudado a forma desse amor até que ele se tornasse algo que já não precisa de respostas, de presença ou de continuidade.

E acho bonito pensar que os sentimentos também podem mudar sem que precisemos negar aquilo que foram.

Hoje, somos pessoas diferentes. A vida seguiu. Talvez nem nos reconhecêssemos completamente se nos encontrássemos depois de tantos anos. Talvez descobríssemos que já não temos quase nada em comum.

Ainda assim, existe uma parte da minha história em que essa pessoa estará para sempre.

Não porque eu espere alguma coisa dela. Não porque acredite que estávamos destinados a ficar juntos. Mas porque houve um tempo em que ela foi importante para mim, e eu não preciso apagar isso para continuar vivendo.

De vez em quando, gosto de pensar que talvez eu também tenha sido uma lembrança bonita na vida de alguém. Que, em algum momento, alguém possa se lembrar de mim sem lembrar de todos os detalhes, mas com aquela sensação boa de ter compartilhado alguma coisa verdadeira.

Talvez seja impossível saber.

E talvez nem precise.

Dezessete anos depois, já não sei dizer exatamente do que gostava naquela pessoa. Não saberia reconstruir nossa história em todos os detalhes, nem explicar com precisão por que algumas coisas aconteceram daquela maneira.

Mas ainda existe carinho.

E, de alguma forma, essa pessoa continua fazendo parte de quem eu sou.

Talvez porque a gente nunca seja feito apenas daquilo que permanece. Também somos feitos das despedidas, das tentativas, das histórias interrompidas e das pessoas que conhecemos antes de saber direito quem éramos.

A vida mudou. Eu mudei. Aquela pessoa também deve ter mudado.

E, mesmo que um dia eu já não consiga me lembrar de quase nada, ainda terá existido aquele tempo em que fomos parte da vida um do outro.

Acho que, no fim, é isso que quero guardar.

Não a expectativa de que um dia tudo volte a ser como era, nem a tristeza pelo que poderia ter acontecido. Apenas o carinho por alguém que fez parte da minha história e que, mesmo depois de tantos anos, ainda consigo lembrar com ternura.

Porque algumas pessoas não precisam continuar ao nosso lado para continuar fazendo parte de nós.

E talvez amar também seja isso: aceitar que tudo muda, que nem todas as histórias permanecem e que, ainda assim, podemos olhar para algumas delas e agradecer, em silêncio, por terem existido.



QUERO LER O POST COMPLETO

Eu não sei ser ficante

Eu não sei ser ficante


Eu não sei quem inventou esse tipo de relação, mas confesso que eu não sei ser ficante.

Acho curioso porque sou uma pessoa bastante mente aberta. Não tenho vontade de dizer como os outros devem viver, amar, se relacionar ou construir suas histórias. Acho que cada pessoa precisa encontrar o formato de relacionamento que faça sentido para ela.

Mas, quando se trata de mim, eu sou muito mais careta do que pareço.

Eu gosto de relações definidas.

Gosto de saber onde estou pisando. Gosto de saber o que somos, o que estamos construindo e se existe, de fato, uma vontade dos dois de descobrir até onde aquilo pode chegar.

Não porque eu precise de garantias sobre o futuro.

Eu sei que ninguém pode prometer que uma relação vai durar para sempre. Sei que duas pessoas podem começar muito apaixonadas e, depois de algum tempo, perceber que não combinam. Sei que sentimentos mudam, que planos mudam e que algumas histórias simplesmente chegam ao fim.

Tudo bem.

O que eu não consigo fazer é começar uma história sem saber se estamos, de fato, vivendo a mesma história.

Eu gosto de exclusividade.

Quando começo a gostar de alguém, naturalmente deixo de procurar outras pessoas. Não porque alguém tenha colocado uma regra sobre mim, mas porque é assim que o meu sentimento funciona.

Eu quero conhecer uma pessoa.

Quero prestar atenção nela.

Quero saber do que ela gosta, o que a assusta, quais são os sonhos que ela ainda não contou para muita gente, o que faz seus olhos brilharem e quais feridas ela carrega.

Quero criar intimidade.

E, para mim, é difícil construir intimidade enquanto existe uma fila de pessoas esperando pela mesma atenção.

Talvez eu seja careta.

Mas eu gosto da ideia de duas pessoas decidirem olhar uma para a outra e dizer: vamos ver o que existe aqui.

Não significa que já somos namorados.

Não significa que existe uma promessa de casamento.

Não significa que precisamos saber onde estaremos daqui a cinco anos.

Significa apenas que, enquanto estamos nos conhecendo, existe uma escolha consciente de dar espaço para aquela relação crescer.

Porque eu acredito que vínculo precisa de espaço.

E espaço, para mim, não é ter várias pessoas ao redor e tentar descobrir qual delas funciona melhor.

É permitir que uma pessoa seja conhecida de verdade.

Eu não quero ser a opção que está sendo comparada com outras.

Também não quero colocar alguém nessa posição.

Quando gosto de alguém, eu fico leal.

Fico dedicada.

Fico interessada.

Quero saber como foi o dia, quero comemorar as conquistas, quero estar por perto quando as coisas não estiverem tão boas.

Quero ser suporte.

Quero que a pessoa saiba que existe alguém torcendo sinceramente por ela.

Se ela tiver um sonho, quero poder dizer: “eu acredito em você”.

Se estiver passando por uma fase difícil, quero estar ali.

Se conseguir alguma coisa que desejava há anos, quero ser uma das pessoas que comemoram junto.

Talvez seja exatamente por isso que eu não saiba ser ficante.

Porque eu não consigo entregar metade de mim enquanto tento fingir que não estou envolvida.

Eu até consigo agir como se não me importasse.

Consigo ser racional.

Consigo dizer para mim mesma que é só uma coisa casual.

Mas, quando eu realmente gosto, meu coração não entende muito bem esse contrato de “vamos ficar, mas sem criar vínculo”.

Eu crio vínculo.

É inevitável.

E não acho que isso seja um defeito.

Só significa que preciso encontrar alguém que funcione de uma maneira parecida.

Alguém que também veja uma relação como um lugar onde duas pessoas podem se conhecer profundamente e, se fizer sentido, crescer juntas.

E aqui existe uma diferença importante: eu não quero alguém que prometa ficar comigo para sempre.

Quero alguém que tenha intenção de me conhecer.

Que tenha curiosidade sobre quem eu sou.

Que queira descobrir se somos bons um para o outro.

Porque, para mim, relacionamento não deveria começar com a certeza de que vai dar certo.

Deveria começar com a disposição de descobrir.

Talvez a gente se descubra completamente diferente.

Talvez nossos sonhos não combinem.

Talvez nossas formas de amar sejam incompatíveis.

Talvez, depois de alguns meses, a gente perceba que não consegue construir uma vida juntos.

Tudo bem.

Eu consigo aceitar um fim.

O que eu tenho dificuldade de aceitar é uma relação em que ninguém sabe exatamente o que está fazendo, mas continua ali porque é confortável demais para ir embora.

Eu preciso de alguma estabilidade emocional para conseguir viver o restante da minha vida.

Porque eu também tenho meus sonhos.

Tenho meus objetivos.

Tenho coisas que quero construir.

E, para conseguir olhar para eles com tranquilidade, preciso saber minimamente onde estou emocionalmente.

Não quero passar meus dias tentando interpretar mensagens, descobrir se a pessoa está saindo com outra, imaginando se ela gosta de mim o suficiente ou me perguntando se amanhã ainda estaremos fazendo parte da vida um do outro.

Não quero que uma relação ocupe um espaço tão grande na minha cabeça justamente porque ela não tem definição.

Eu prefiro uma verdade que talvez doa a uma dúvida que se prolonga.

Prefiro ouvir: “não quero construir isso com você” do que passar meses tentando descobrir.

Prefiro saber que não somos compatíveis do que viver tentando me adaptar para caber em uma relação que não me oferece segurança.

E talvez seja isso que eu tenha aprendido sobre mim.

Eu não preciso que todo mundo queira o mesmo tipo de relação que eu.

Só preciso não me abandonar para conseguir permanecer em uma.

Posso ser moderna, mente aberta, independente e ainda querer um relacionamento tradicional em algumas coisas.

Posso acreditar na liberdade e, ao mesmo tempo, querer exclusividade.

Posso não querer controlar ninguém e ainda assim saber que não consigo viver bem em uma relação sem definição.

Não existe contradição nisso.

Existe apenas autoconhecimento.

Eu sei o que acontece comigo quando gosto de alguém.

Eu me entrego.

Eu cuido.

Eu torço.

Eu me esforço.

Eu quero construir.

E, justamente por saber disso, hoje eu prefiro não oferecer esse tipo de amor para alguém que está apenas tentando descobrir se quer ficar.

Não quero ser o intervalo entre uma pessoa e outra.

Não quero ser uma possibilidade.

Não quero ser “vamos ver”.

Eu quero poder olhar para alguém e dizer:

“Eu escolho você. Vamos descobrir juntos se conseguimos construir alguma coisa bonita.”

E ouvir, do outro lado:

“Eu também escolho você.”

Talvez seja simples demais.

Talvez seja careta.

Talvez não combine com o mundo dos relacionamentos de hoje.

Mas combina comigo.

E, no fim das contas, é isso que importa.

Eu não preciso aprender a ser ficante.

Preciso apenas encontrar alguém que também queira construir um vínculo comigo.



QUERO LER O POST COMPLETO

E se o amor já tiver passado pela minha vida e eu não percebi?

E se o amor já tiver passado pela minha vida e eu não percebi?


Às vezes eu penso nisso.

E se ele já esteve do outro lado da rua enquanto eu caminhava distraída, olhando para qualquer outra coisa?

E se ele dobrou justamente naquela esquina que eu não atravessei?

E se nós estivemos no mesmo lugar, na mesma hora, mas um de nós estava ocupado demais pensando na própria vida para perceber o outro?

Talvez o amor não tenha chegado atrasado.

Talvez eu tenha passado por ele sem saber.

É estranho pensar que algumas das pessoas que poderiam ter sido importantes para nós podem ter cruzado o nosso caminho e desaparecido sem deixar nenhuma pista. Um desconhecido no ônibus. Alguém sentado sozinho em uma cafeteria. Uma pessoa que sorriu para nós na fila de uma livraria. O amigo de um amigo que nunca tivemos coragem de conhecer melhor.

Quantas possibilidades existem andando por aí sem que a gente saiba?

A gente gosta de imaginar que, quando o amor chegar, vai saber.

Que haverá uma música tocando ao fundo, alguma coisa dentro do peito vai mudar, o mundo vai ficar mais bonito e imediatamente vamos reconhecer aquela pessoa como alguém que estava destinada a aparecer.

Mas talvez não seja assim.

Talvez o amor, algumas vezes, chegue com a aparência de uma pessoa comum.

Talvez seja uma conversa que não parece importante.

Um convite que recusamos porque estávamos cansados.

Uma mensagem que respondemos sem muita expectativa.

Um encontro que não aconteceu porque a vida colocou alguma coisa no caminho.

E talvez seja por isso que, olhando para trás, algumas histórias pareçam ter dependido de detalhes tão pequenos.

Uma esquina.

Um horário.

Uma decisão.

Um “sim” ou um “não”.

Isso me faz pensar nas vezes em que eu estava tão preocupada em encontrar o amor que não estava realmente presente na minha própria vida.

Eu procurava sinais.

Imaginava futuros.

Tentava descobrir quando finalmente aconteceria.

E, enquanto isso, talvez a vida estivesse acontecendo exatamente diante de mim.

Talvez o problema nunca tenha sido que o amor não chegou.

Talvez eu simplesmente ainda não soubesse reconhecê-lo.

Mas existe uma parte bonita nessa possibilidade.

Porque, se o amor já passou por mim sem que eu percebesse, isso também significa que ele pode estar por aí agora.

Talvez do outro lado da rua.

Talvez dobrando uma esquina qualquer.

Talvez entrando no mesmo café em que eu vou amanhã.

Talvez sentado ao meu lado em algum lugar onde eu ainda nem pensei em estar.

E talvez eu não precise sair procurando desesperadamente.

Talvez eu só precise estar presente.

Olhar um pouco mais.

Conversar.

Aceitar convites.

Andar por lugares novos.

Permitir que a vida me surpreenda.

Porque talvez amar também seja isso: estar disponível para perceber aquilo que, se estivermos distraídos demais, pode passar por nós sem fazer barulho.

E se o amor já passou pela minha vida e eu não percebi?

Tudo bem.

Eu não posso voltar naquela rua.

Não posso descobrir qual esquina ele dobrou.

Não posso refazer os caminhos que não percorri.

Mas posso escolher prestar mais atenção daqui para frente.

Porque talvez, da próxima vez, eu esteja olhando.

E talvez o amor esteja olhando de volta.



QUERO LER O POST COMPLETO

Quando a presença de alguém traz paz

Quando a presença de alguém traz paz


Tem uma coisa curiosa que pode acontecer quando a gente começa a gostar de alguém: às vezes, a pessoa não precisa fazer absolutamente nada para mudar o nosso estado de espírito.

Não precisa dizer a coisa certa. Não precisa resolver um problema. Não precisa fazer um discurso bonito sobre o quanto gosta da gente. Às vezes ela só chega.

E, de repente, aquilo que estava pesado parece um pouco mais leve.

Outro dia eu estava em um daqueles dias em que tudo parecia me irritar. Eu estava cansada, impaciente, com pouca tolerância para qualquer coisa. Cheguei a pensar que seria uma péssima companhia e até fiquei com pena da pessoa que tinha combinado de me encontrar.

Mas ela chegou. Nós trocamos algumas palavras e, de uma maneira que eu não sei explicar muito bem, eu me acalmei.

Não foi uma mudança racional. Eu não pensei: “agora preciso ficar de bom humor porque ele chegou”. Simplesmente aconteceu. A presença dele me trouxe uma sensação de tranquilidade que eu não estava sentindo antes.

E fiquei pensando em como é bonito quando alguém consegue despertar isso na gente.

Não é sobre alguém salvar a gente


Existe uma diferença importante entre encontrar paz na presença de alguém e esperar que essa pessoa seja responsável pela nossa paz. Eu não quero um relacionamento em que uma pessoa precise consertar constantemente a outra.

Não quero precisar estar mal para procurar alguém que me coloque no eixo, nem quero que alguém dependa de mim para conseguir ficar bem. Cada um continua responsável pela própria vida, pelos próprios sentimentos e pelas próprias escolhas.

Mas acho bonito imaginar um relacionamento em que, mesmo sabendo cuidar de si, duas pessoas possam encontrar acolhimento uma na outra. Um lugar para descansar. Um abraço depois de um dia difícil. Uma conversa que não exige respostas perfeitas. Um silêncio que não precisa ser preenchido.

A sensação de poder chegar como você está, sem precisar estar sempre interessante, bonita, divertida ou de bom humor.

Talvez segurança seja poder baixar a guarda


A gente fala muito sobre paixão. Sobre frio na barriga, ansiedade, expectativa, mensagens, saudade, atração. E tudo isso faz parte. Mas existe uma sensação diferente que começa a aparecer quando o vínculo vai ficando mais profundo: a possibilidade de baixar a guarda.

Poder ser você mesma. Poder dizer que teve um dia ruim. Poder ficar quieta. Poder rir de uma coisa completamente idiota. Poder falar sobre assuntos sérios e, cinco minutos depois, cantar uma música boba no carro. Poder demonstrar carinho sem medo de parecer carente. Poder dizer “isso me machucou” sem transformar imediatamente a conversa em uma guerra.

Talvez segurança emocional tenha muito mais a ver com isso do que com nunca sentir medo de perder alguém. Porque gostar de alguém sempre envolve algum risco.

Você pode ser cuidadosa, pode escolher bem, pode construir confiança — mas não pode controlar completamente as escolhas de outra pessoa.

O que você pode construir é um relacionamento no qual os dois saibam que existe espaço para honestidade, respeito e cuidado.

Eu quero ser paz, mas não quero ser responsável pela paz dele


Talvez essa seja uma das coisas que mais tenho pensado.

Quando percebi que a presença de alguém conseguia me acalmar, tive vontade de que fosse recíproco. Quero ser aquela pessoa cuja presença também faça o outro respirar um pouco mais fundo.

Não porque eu queira ser indispensável. Não porque queira que ele precise de mim. Mas porque existe algo muito bonito em pensar:

“Quando o mundo estiver difícil, espero que estar comigo seja um pouco mais fácil.”

E gostaria de receber o mesmo. Não quero ser a mulher que precisa estar disponível vinte e quatro horas para resolver tudo. Quero ser alguém com quem ele possa descansar. E quero poder fazer isso também.

Talvez seja isso que significa ser um lugar seguro para alguém: não impedir que a pessoa sofra, mas fazer com que ela saiba que não precisa esconder o sofrimento para continuar sendo amada.

O amor também pode ser um lugar para voltar


Acho que, durante muito tempo, confundimos intensidade com profundidade. Se existe muita ansiedade, muita saudade, muita dúvida, muita emoção, parece que necessariamente existe muito amor. Mas talvez exista uma forma de amor que seja menos barulhenta.

Um amor que também tenha riso. Que tenha conversa. Que tenha desejo. Que tenha silêncio. Que tenha espaço. Que permita que duas pessoas continuem sendo indivíduos, mas escolham compartilhar a vida.

Um amor em que ninguém precisa abandonar a própria identidade para fazer o relacionamento funcionar. E talvez seja por isso que aquela sensação de paz tenha me marcado tanto. Porque eu estava acostumada a pensar no amor como aquilo que acelera o coração.

E talvez ele também possa ser aquilo que, de vez em quando, faz o coração desacelerar.

Não sei onde uma história assim vai chegar. Talvez essa seja justamente a parte bonita de ainda não saber. Mas sei que, se um dia eu construir uma vida a dois, gostaria que fosse assim:

que nós dois tivéssemos nossas próprias vidas, nossos próprios problemas e nossas próprias responsabilidades, mas que, quando estivéssemos juntos, pudéssemos sentir que não precisamos estar em guerra com o mundo.

Que eu pudesse ser um lugar seguro para ele. E que ele pudesse ser um lugar seguro para mim. 

Não uma fuga da vida. 

Um lugar de descanso dentro dela. 



QUERO LER O POST COMPLETO

Ciúme não é prova de amor — e vigilância não é segurança

Ciúme não é prova de amor — e vigilância não é segurança


Vou mentir. Ou melhor: vou escrever uma coisa que talvez eu ainda esteja tentando internalizar. Talvez seja uma espécie de mentira para mim mesma até o dia em que ela deixe de ser mentira e vire convicção.

É normal sentir ciúmes.

Acho que seria até estranho imaginar que alguém que amamos nunca sentiria aquele pequeno aperto no peito diante de alguma situação. Principalmente quando estamos mais vulneráveis, mais inseguras, cansadas, sensíveis ou simplesmente com os hormônios fazendo uma reunião extraordinária dentro da nossa cabeça.

Às vezes a pessoa ao nosso lado pode fazer tudo certo. Pode ser carinhosa, presente, transparente, respeitosa. Pode nos dar motivos concretos para confiar nela. E ainda assim, em determinado momento, alguma coisa dentro da gente pode disparar.

O problema começa quando a gente acredita que precisa fazer alguma coisa com esse sentimento.

- Investigar.

- Perguntar.

- Conferir.

- Observar curtidas.

- Interpretar silêncio.

Tentar descobrir quem aquela pessoa segue, quem ela olhou, quem comentou alguma coisa, por que demorou para responder. Como se, depois de descobrir informação suficiente, finalmente pudéssemos controlar o que o outro vai fazer. Mas não podemos.

E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis de aceitar sobre estar em um relacionamento: a pessoa que está com você continua sendo uma pessoa livre.

Você pode ser a melhor companheira do mundo e, ainda assim, não pode garantir as escolhas do outro.

- Pode amar muito.

- Pode ser bonita.

- Pode ser interessante.

- Pode estar presente.

- Pode respeitar.

- Pode fazer tudo o que estiver ao seu alcance para construir uma relação saudável.

E, ainda assim, se um dia o outro escolher ser desleal, essa escolha será dele. Não sua. Isso me faz pensar que talvez a pergunta mais importante não seja:

“Como faço para ter certeza de que essa pessoa nunca vai me trair?”

Mas:

“Eu estou em paz com a maneira como estou vivendo essa relação?”

Porque, no fim, a minha consciência é uma das poucas coisas que realmente estão sob o meu controle.

Se eu estou sendo leal, honesta, respeitosa e inteira naquela relação, não quero passar os meus dias tentando administrar o caráter de outra pessoa.

Porque quem quer ser desleal vai encontrar uma maneira de fazer isso. Não importa quantas perguntas você faça, quantas mensagens confira ou quantas vezes pergunte onde a pessoa estava.

Vigilância não cria caráter.

Controle não cria lealdade.

E ciúme não impede ninguém de fazer aquilo que já decidiu fazer.

Isso não significa aceitar qualquer coisa. Muito pelo contrário. Uma coisa é eu não querer viver em estado permanente de desconfiança. Outra é eu não ter limites.

Se um dia eu descobrir uma traição, eu posso até perdoar. Perdoar, para mim, não significa fingir que nada aconteceu. Também não significa necessariamente continuar oferecendo a mesma intimidade para aquela pessoa.

Eu acredito que posso perdoar alguém e, ainda assim, entender que aquela pessoa perdeu o acesso que tinha a mim. Porque confiança, para mim, é um dos pilares de uma relação. E quando ela é quebrada, alguma coisa muda.

Não importa o quanto a pessoa esteja arrependida. Não importa o quanto chore, prometa ou diga que nunca mais vai acontecer.

Talvez algumas relações consigam reconstruir a confiança depois de uma traição. Eu não sei.

Mas eu sei que não gostaria de permanecer em uma relação apenas porque tenho medo de perder alguém. Não quero amar alguém enquanto tento descobrir se deveria estar com medo.

Quero poder admirar quem está ao meu lado.

Quero respeito.

Quero lealdade.

Quero confiança.

Quero poder estar longe da pessoa sem transformar a distância em investigação.

E talvez essa seja a parte que eu ainda estou aprendendo: eu não preciso controlar alguém para estar segura. A minha segurança também precisa existir dentro de mim.

Porque se algum dia alguém escolher me trair, isso vai dizer alguma coisa sobre aquela pessoa. Não vai ser uma prova de que eu não fui bonita o suficiente, interessante o suficiente, carinhosa o suficiente ou boa o suficiente.

Às vezes a gente olha para uma traição e imediatamente pergunta:

“Mas o que eu fiz de errado?”

Talvez essa nem sempre seja a pergunta certa. Talvez a pergunta seja:

“Que tipo de escolha essa pessoa decidiu fazer?”

E existe uma liberdade muito grande em perceber isso. Eu posso amar alguém sem vigiar. Posso sentir ciúmes sem transformar o ciúme em comportamento. Posso ficar insegura em um dia ruim e, ainda assim, não construir uma história inteira em cima de uma emoção passageira. Posso confiar sem ser ingênua.

E posso perdoar alguém sem necessariamente devolver a essa pessoa o lugar que ela ocupava na minha vida.

No fundo, talvez amar alguém também seja aceitar que não temos controle absoluto sobre o que o outro fará. E confiar não é ter certeza de que nunca seremos machucados.

É saber que, se um dia alguém escolher nos machucar, nós continuaremos tendo a nós mesmas para voltar.



QUERO LER O POST COMPLETO

Pesquisar este blog