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28/09/2026
E se o amor já tiver passado pela minha vida e eu não percebi?
Às vezes eu penso nisso.
E se ele já esteve do outro lado da rua enquanto eu caminhava distraída, olhando para qualquer outra coisa?
E se ele dobrou justamente naquela esquina que eu não atravessei?
E se nós estivemos no mesmo lugar, na mesma hora, mas um de nós estava ocupado demais pensando na própria vida para perceber o outro?
Talvez o amor não tenha chegado atrasado.
Talvez eu tenha passado por ele sem saber.
É estranho pensar que algumas das pessoas que poderiam ter sido importantes para nós podem ter cruzado o nosso caminho e desaparecido sem deixar nenhuma pista. Um desconhecido no ônibus. Alguém sentado sozinho em uma cafeteria. Uma pessoa que sorriu para nós na fila de uma livraria. O amigo de um amigo que nunca tivemos coragem de conhecer melhor.
Quantas possibilidades existem andando por aí sem que a gente saiba?
A gente gosta de imaginar que, quando o amor chegar, vai saber.
Que haverá uma música tocando ao fundo, alguma coisa dentro do peito vai mudar, o mundo vai ficar mais bonito e imediatamente vamos reconhecer aquela pessoa como alguém que estava destinada a aparecer.
Mas talvez não seja assim.
Talvez o amor, algumas vezes, chegue com a aparência de uma pessoa comum.
Talvez seja uma conversa que não parece importante.
Um convite que recusamos porque estávamos cansados.
Uma mensagem que respondemos sem muita expectativa.
Um encontro que não aconteceu porque a vida colocou alguma coisa no caminho.
E talvez seja por isso que, olhando para trás, algumas histórias pareçam ter dependido de detalhes tão pequenos.
Uma esquina.
Um horário.
Uma decisão.
Um “sim” ou um “não”.
Isso me faz pensar nas vezes em que eu estava tão preocupada em encontrar o amor que não estava realmente presente na minha própria vida.
Eu procurava sinais.
Imaginava futuros.
Tentava descobrir quando finalmente aconteceria.
E, enquanto isso, talvez a vida estivesse acontecendo exatamente diante de mim.
Talvez o problema nunca tenha sido que o amor não chegou.
Talvez eu simplesmente ainda não soubesse reconhecê-lo.
Mas existe uma parte bonita nessa possibilidade.
Porque, se o amor já passou por mim sem que eu percebesse, isso também significa que ele pode estar por aí agora.
Talvez do outro lado da rua.
Talvez dobrando uma esquina qualquer.
Talvez entrando no mesmo café em que eu vou amanhã.
Talvez sentado ao meu lado em algum lugar onde eu ainda nem pensei em estar.
E talvez eu não precise sair procurando desesperadamente.
Talvez eu só precise estar presente.
Olhar um pouco mais.
Conversar.
Aceitar convites.
Andar por lugares novos.
Permitir que a vida me surpreenda.
Porque talvez amar também seja isso: estar disponível para perceber aquilo que, se estivermos distraídos demais, pode passar por nós sem fazer barulho.
E se o amor já passou pela minha vida e eu não percebi?
Tudo bem.
Eu não posso voltar naquela rua.
Não posso descobrir qual esquina ele dobrou.
Não posso refazer os caminhos que não percorri.
Mas posso escolher prestar mais atenção daqui para frente.
Porque talvez, da próxima vez, eu esteja olhando.
E talvez o amor esteja olhando de volta.

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