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Mesmo que mude, algumas pessoas continuam morando na gente

Mesmo que mude, algumas pessoas continuam morando na gente


Esses dias, me peguei pensando no meu primeiro amor.

Faz dezessete anos. É quase uma vida inteira, se a gente parar para pensar em tudo o que pode acontecer nesse intervalo de tempo. Eu era adolescente, tinha outras preocupações, outros sonhos e uma ideia muito diferente do que significava gostar de alguém.

Hoje, quando tento me lembrar daquela pessoa, percebo que já não consigo recuperar tantos detalhes. Não sei dizer com precisão quais eram as coisas de que eu mais gostava nela, quais conversas me faziam perder a hora ou o que exatamente me encantava tanto. Algumas lembranças ficaram pelo caminho, outras se misturaram com tantas coisas que aconteceram depois.

É estranho pensar que alguém que um dia ocupou tanto espaço nos nossos pensamentos pode, com o passar dos anos, se tornar quase uma lembrança sem contornos.

Mas, apesar de já não lembrar de tanta coisa, ainda guardo essa pessoa no coração com carinho. Existe uma espécie de admiração que permaneceu, mesmo depois de todo esse tempo, mesmo sem convivência, mesmo sem saber direito quem ela é hoje.

E fiquei pensando em como isso é curioso.

Como alguém pode continuar fazendo parte da gente quando já não lembramos direito de quem essa pessoa era?

Éramos tão jovens que não sabíamos muito bem o que fazer com o que sentíamos


Quando penso naquela época, não consigo deixar de imaginar quantas coisas poderiam ter sido diferentes se tivéssemos um pouco mais de maturidade.

Talvez nos faltasse comunicação. Talvez não soubéssemos dizer o que sentíamos, perguntar o que o outro queria ou explicar aquilo que nos machucava. Talvez esperássemos que algumas coisas fossem compreendidas sem precisar ser ditas, como se gostar de alguém fosse suficiente para que duas pessoas soubessem automaticamente como ficar juntas.

Mas não era.

A gente ainda estava aprendendo a ser gente, a entender os próprios sentimentos, a lidar com as inseguranças e a descobrir que o outro não tem como adivinhar aquilo que se passa dentro da nossa cabeça.

Hoje, consigo olhar para aquela história com um pouco mais de ternura. Não porque saiba exatamente o que aconteceu ou porque tenha certeza de que tudo poderia ter sido diferente, mas porque entendo que éramos jovens demais para algumas coisas.

Talvez não tenha faltado sentimento. Talvez tenha faltado saber o que fazer com ele.

E existe uma tristeza particular em pensar nas histórias que não tiveram continuidade não necessariamente porque deixamos de gostar, mas porque ainda não sabíamos como construir alguma coisa a partir do que sentíamos.

Não sei se teríamos dado certo se fôssemos mais velhos. Não sei quem seríamos um ao lado do outro, nem se nossas vidas teriam seguido os mesmos caminhos. A maturidade poderia ter nos ajudado a conversar melhor, mas não seria uma garantia de que a história teria durado.

A vida não nos oferece a possibilidade de voltar para descobrir.

Só nos permite olhar para trás com aquilo que aprendemos desde então.

Dezessete anos depois, já não sei se sinto saudade ou se sinto carinho por quem fomos


Às vezes, acho que a saudade é uma palavra pequena demais para algumas lembranças.

Porque não sei se sinto falta daquela pessoa ou se sinto carinho pela época em que ela fez parte da minha vida. Não sei se gostaria de reviver alguma coisa ou se apenas gosto de saber que aquilo aconteceu.

Talvez seja um pouco dos dois. Talvez seja outra coisa, para a qual eu ainda não encontrei um nome.

Não tenho a mesma urgência de antes. Não fico imaginando como seria se nos encontrássemos, nem preciso que aquela história tenha um desfecho diferente para reconhecer o que significou para mim.

É como se a lembrança tivesse deixado de pedir alguma coisa.

Ela simplesmente existe.

E eu gosto disso. Gosto de poder lembrar de alguém sem precisar transformar a lembrança em uma pergunta sobre o que poderia ter sido. Gosto de pensar que, apesar de todas as coisas que mudaram, ainda consigo olhar para essa pessoa com carinho, sem precisar que ela volte a ocupar um lugar na minha vida.

Talvez amadurecer também seja aprender que nem todo sentimento precisa ser resolvido. Alguns só precisam encontrar um lugar tranquilo dentro da gente.
As pessoas que amamos também participam de quem nos tornamos

Existe algo que me encanta nessa ideia de que somos feitos, em parte, das pessoas que passaram pelas nossas vidas.

Não apenas daquelas que permaneceram. Também daquelas com quem dividimos uma fase, uma conversa, uma descoberta ou uma versão de nós mesmos que já não existe.

Talvez meu primeiro amor tenha feito parte de quem eu me tornei de maneiras que hoje não consigo identificar. Talvez algumas das coisas que aprendi sobre gostar de alguém tenham começado ali. Talvez aquela experiência tenha deixado perguntas que só consegui responder muitos anos depois.

Ou talvez eu esteja apenas tentando encontrar sentido em uma lembrança que guardo porque ela é importante para mim.

E tudo bem.

Nem precisamos conseguir explicar exatamente como alguém nos marcou para reconhecer que essa pessoa teve um lugar na nossa história.

A gente costuma pensar que superar um amor significa deixar de sentir qualquer coisa, como se o único jeito de seguir em frente fosse apagar o passado. Mas hoje me parece que existem outras possibilidades.

Podemos deixar de querer uma vida com alguém e continuar desejando que essa pessoa tenha uma vida bonita. Podemos não sentir mais aquela paixão de antes e ainda guardar uma admiração sincera. Podemos passar anos sem pensar em alguém e, de repente, lembrar com carinho, sem que isso signifique que estamos presos ao passado.

Talvez algumas pessoas deixem de fazer parte da nossa rotina, mas nunca desapareçam completamente da nossa história.

Elas passam a existir de outra maneira. Não como uma presença que esperamos reencontrar, mas como parte daquilo que vivemos e que, de alguma forma, nos trouxe até aqui.

Nem todo amor precisa continuar para ter sido importante


Durante muito tempo, talvez a gente aprenda a olhar para as histórias de amor como se todas precisassem chegar a algum lugar.

Ou ficam juntas, ou terminam como se tivessem fracassado. Ou existe um reencontro, ou precisamos acreditar que não significaram tanto assim. Como se a importância de uma relação pudesse ser medida pelo tempo que duas pessoas conseguiram permanecer uma na vida da outra.

Mas e se algumas histórias forem importantes justamente porque aconteceram naquele momento?

A adolescência tem uma maneira muito particular de fazer tudo parecer definitivo. A gente sente como se aquele amor fosse o único possível, como se o mundo inteiro estivesse concentrado na presença de uma pessoa. Depois, a vida acontece. Crescemos, mudamos, conhecemos outras pessoas, nos decepcionamos, aprendemos a estabelecer limites e passamos a compreender coisas que antes pareciam impossíveis.

E, quando olhamos para trás, percebemos que aquela história não precisava ter durado para continuar tendo valor.

Não quero romantizar o que não deu certo, nem fingir que a falta de comunicação não teve consequências. Talvez tivéssemos conseguido construir algo bonito se soubéssemos conversar melhor. Talvez não. Nunca vou saber.

O que sei é que não preciso transformar aquela história em um erro só porque ela não teve continuidade.

Ela foi parte da minha vida. Foi parte de quem eu era. E talvez isso já seja motivo suficiente para guardá-la com carinho.

Talvez seja isso que significa amar alguém, mesmo que tudo mude


Não sei se ainda amo meu primeiro amor da adolescência. Depende do que a gente entende por amor.

Se amar significa querer estar junto, dividir a rotina, construir planos e continuar escolhendo uma pessoa no presente, talvez não seja esse o sentimento que existe hoje.

Mas, se também existe amor no carinho que permanece, na admiração que resiste ao tempo e na capacidade de desejar que alguém seja feliz mesmo longe de nós, então talvez exista alguma coisa desse sentimento que ainda vive aqui.

Não como antes. Não com a mesma intensidade, nem com os mesmos desejos.

Talvez o tempo tenha mudado a forma desse amor até que ele se tornasse algo que já não precisa de respostas, de presença ou de continuidade.

E acho bonito pensar que os sentimentos também podem mudar sem que precisemos negar aquilo que foram.

Hoje, somos pessoas diferentes. A vida seguiu. Talvez nem nos reconhecêssemos completamente se nos encontrássemos depois de tantos anos. Talvez descobríssemos que já não temos quase nada em comum.

Ainda assim, existe uma parte da minha história em que essa pessoa estará para sempre.

Não porque eu espere alguma coisa dela. Não porque acredite que estávamos destinados a ficar juntos. Mas porque houve um tempo em que ela foi importante para mim, e eu não preciso apagar isso para continuar vivendo.

De vez em quando, gosto de pensar que talvez eu também tenha sido uma lembrança bonita na vida de alguém. Que, em algum momento, alguém possa se lembrar de mim sem lembrar de todos os detalhes, mas com aquela sensação boa de ter compartilhado alguma coisa verdadeira.

Talvez seja impossível saber.

E talvez nem precise.

Dezessete anos depois, já não sei dizer exatamente do que gostava naquela pessoa. Não saberia reconstruir nossa história em todos os detalhes, nem explicar com precisão por que algumas coisas aconteceram daquela maneira.

Mas ainda existe carinho.

E, de alguma forma, essa pessoa continua fazendo parte de quem eu sou.

Talvez porque a gente nunca seja feito apenas daquilo que permanece. Também somos feitos das despedidas, das tentativas, das histórias interrompidas e das pessoas que conhecemos antes de saber direito quem éramos.

A vida mudou. Eu mudei. Aquela pessoa também deve ter mudado.

E, mesmo que um dia eu já não consiga me lembrar de quase nada, ainda terá existido aquele tempo em que fomos parte da vida um do outro.

Acho que, no fim, é isso que quero guardar.

Não a expectativa de que um dia tudo volte a ser como era, nem a tristeza pelo que poderia ter acontecido. Apenas o carinho por alguém que fez parte da minha história e que, mesmo depois de tantos anos, ainda consigo lembrar com ternura.

Porque algumas pessoas não precisam continuar ao nosso lado para continuar fazendo parte de nós.

E talvez amar também seja isso: aceitar que tudo muda, que nem todas as histórias permanecem e que, ainda assim, podemos olhar para algumas delas e agradecer, em silêncio, por terem existido.



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E se seis meses ao lado de alguém pudessem transformar você mais do que anos sozinho?

E se seis meses ao lado de alguém pudessem transformar você mais do que anos sozinho?


Existe uma ideia que me faz pensar sobre o amor de uma maneira diferente: e se duas pessoas que se apaixonam, se escolhem e estão verdadeiramente dispostas a construir algo juntas pudessem crescer, em seis meses de relacionamento, de uma forma que talvez levassem anos para experimentar sozinhas?

Não estou falando de encontrar alguém que resolva a nossa vida, cure todas as nossas feridas ou nos transforme em pessoas melhores por mágica. Estou falando de algo mais sutil, mas igualmente poderoso: descobrir quem podemos ser quando encontramos alguém que nos incentiva a sair do lugar.

Porque existem coisas que aprendemos na solidão, no silêncio e nos períodos em que precisamos encontrar nossas próprias respostas. Mas também existem partes de nós que só descobrimos quando nos relacionamos com outras pessoas. E talvez o amor seja um dos encontros mais profundos que podemos experimentar nesse sentido.

O amor também pode ser uma forma de expansão


A psicologia tem uma teoria interessante sobre isso, conhecida como modelo de expansão do eu. Desenvolvida pelos pesquisadores Elaine e Arthur Aron, ela propõe que os relacionamentos amorosos podem ampliar a nossa percepção de quem somos por meio das experiências, dos conhecimentos e das perspectivas que compartilhamos com outra pessoa.

Pensa em quantas coisas podem mudar quando alguém chega à nossa vida e nos apresenta um mundo que ainda não conhecíamos.

Talvez você conheça uma música que nunca teria procurado sozinho, comece a frequentar lugares diferentes, descubra um interesse que nem sabia que tinha ou encontre coragem para finalmente tirar um projeto antigo do papel. Talvez passe a enxergar determinadas situações por outro ângulo, questione algumas certezas e perceba que existem caminhos que nunca havia considerado.

E não é necessariamente porque essa pessoa sabe mais, é mais inteligente ou tem uma vida mais interessante do que a sua. É porque duas histórias diferentes, quando se encontram, podem produzir novas possibilidades.

Você continua sendo você, mas passa a conhecer versões suas que talvez ainda não tivessem encontrado espaço para existir.

Por que algumas pessoas parecem florescer quando se apaixonam?


Acho interessante observar como algumas pessoas começam a se movimentar de maneira diferente quando vivem um relacionamento saudável.

Elas voltam a fazer planos, recuperam a vontade de experimentar coisas novas, cuidam mais de si, retomam sonhos esquecidos. Não necessariamente porque estavam incompletas antes, mas porque o encontro com alguém despertou sentimentos, ideias e possibilidades que estavam adormecidos.

Às vezes, basta ter alguém que pergunte sobre aquele projeto que você vive adiando. Alguém que escute suas ideias com interesse, que acredite na sua capacidade mesmo quando você ainda está tentando acreditar, que comemore pequenas conquistas e que não transforme suas inseguranças em motivos para diminuir você.

O apoio de uma pessoa importante pode mudar a maneira como enfrentamos os desafios. Quando nos sentimos compreendidos e valorizados, podemos encontrar mais segurança para experimentar, errar, aprender e tentar novamente.

E isso não precisa acontecer por meio de grandes gestos românticos. Muitas vezes, está nas pequenas coisas: uma conversa que nos faz pensar, um incentivo num dia difícil, uma pergunta que nos ajuda a enxergar o que estávamos evitando ou simplesmente a presença de alguém que não nos faz sentir que precisamos enfrentar tudo sozinhos.

Talvez seja por isso que algumas relações pareçam movimentar tanta coisa em tão pouco tempo. Não porque o calendário tenha adquirido uma velocidade diferente, mas porque a vida ganhou novas experiências, perspectivas e possibilidades.

Seis meses juntos podem valer anos sozinho?


Não sei se existe uma maneira justa de medir o crescimento humano em meses ou anos. E a ciência também não estabeleceu que seis meses em um relacionamento recíproco equivalham a vários anos de desenvolvimento individual.

Mas consigo entender de onde vem essa ideia.

Existem aprendizados que surgem quando estamos sozinhos e precisamos tomar decisões sem ter com quem dividir nossas dúvidas. Aprendemos a sustentar nossas escolhas, a conviver com a própria companhia, a reconhecer nossos limites e a construir uma identidade que não dependa da aprovação de ninguém.

E existem aprendizados que surgem quando dividimos a vida com alguém.

Aprendemos a comunicar o que sentimos, a escutar uma perspectiva diferente da nossa, a negociar necessidades, a respeitar limites que não são iguais aos nossos e a perceber como reagimos quando estamos vulneráveis. Descobrimos que amar alguém não significa concordar com tudo, que a intimidade exige honestidade e que a convivência pode revelar aspectos nossos que passariam despercebidos na solidão.

Uma relação pode colocar diante de nós, em um período relativamente curto, situações que nos convidam a amadurecer. Pode nos ensinar sobre generosidade, paciência, responsabilidade, confiança e coragem.

Mas isso depende muito da qualidade do vínculo. Uma relação intensa não é necessariamente uma relação que faz crescer. Há paixões que nos expandem e há relações que nos encolhem. Há encontros que despertam o melhor de nós e outros que nos fazem gastar toda a energia tentando conquistar segurança.

A diferença não está apenas em quanto sentimos, mas também na maneira como somos tratados e no que construímos juntos.

O amor não deveria exigir que você diminuísse para caber


Existe uma diferença entre crescer com alguém e mudar para não perder alguém.

No primeiro caso, você encontra espaço para se tornar uma pessoa mais inteira. No segundo, começa a abandonar partes de si para manter o relacionamento funcionando.

Uma relação saudável não precisa eliminar as diferenças, resolver todas as inseguranças ou impedir qualquer conflito. Duas pessoas continuam sendo duas pessoas, com histórias, desejos, limitações e ritmos próprios.

Mas existe uma disposição para compreender, conversar e encontrar caminhos que respeitem ambos.

Você pode descobrir novos interesses sem precisar abandonar os antigos. Pode aprender com a outra pessoa sem transformar suas opiniões em verdades absolutas. Pode rever algumas convicções sem sentir que precisa renunciar à própria identidade para ser amada.

O amor que expande não exige que você se torne uma versão mais conveniente de si mesma. Ele permite que você continue se descobrindo.

E talvez um dos sinais mais bonitos de uma relação seja justamente este: perceber que, ao lado daquela pessoa, você não está ficando menor para caber na vida de alguém. Está encontrando mais espaço para ser quem é.

Duas pessoas não precisam estar prontas para crescer juntas


Às vezes, imaginamos que precisamos resolver toda a nossa vida antes de entrar em um relacionamento. Que primeiro devemos alcançar estabilidade emocional, conquistar nossos objetivos, superar todas as inseguranças e aprender absolutamente tudo sobre nós mesmos.

É claro que a responsabilidade individual importa. Ninguém deveria colocar nas mãos de outra pessoa a obrigação de lhe dar identidade, propósito ou felicidade.

Mas não precisamos chegar ao amor como projetos finalizados.

Podemos estar aprendendo, mudando de carreira, descobrindo novos interesses, reorganizando nossas prioridades e tentando compreender o que queremos para o futuro. Podemos ter dúvidas e ainda assim sermos capazes de construir uma relação bonita.

Talvez duas pessoas não precisem ter todas as respostas. Talvez precisem ter disposição para fazer perguntas juntas.

O que queremos construir? Que tipo de vida imaginamos? O que precisamos aprender? Como podemos apoiar os sonhos um do outro sem esquecer os nossos? Que hábitos queremos cultivar? Como lidamos com as dificuldades quando as coisas deixam de ser tão simples?

Quando essas conversas encontram espaço, o relacionamento deixa de ser apenas um lugar onde duas pessoas desfrutam da companhia uma da outra. Torna-se também um espaço de aprendizado, escolhas e construção.

Não significa que o casal precise transformar cada dia em uma oportunidade de produtividade ou desenvolvimento pessoal. O amor também precisa de descanso, leveza, diversão e momentos em que ninguém está tentando melhorar absolutamente nada.

Crescer juntos não é viver em uma eterna busca por evolução. É ter liberdade para mudar sem precisar enfrentar todas as mudanças sozinho.

Talvez o amor não nos complete. Talvez nos revele.


Nunca gostei muito da ideia de que precisamos encontrar alguém para nos completar. Ela parece sugerir que existe alguma coisa faltando em nós até que outra pessoa apareça.

Prefiro pensar que já somos pessoas inteiras, mesmo quando ainda estamos em construção.

Temos nossos desejos, nossas contradições, nossas histórias e tudo aquilo que ainda não conhecemos sobre nós mesmos. Podemos construir uma vida significativa sozinhos, desenvolver nossa autonomia, cultivar amizades e realizar nossos sonhos sem precisar esperar por um relacionamento.

Mas isso não significa que a presença de alguém não possa transformar nossa experiência de viver.

Talvez uma pessoa não chegue para preencher um vazio, mas para iluminar um cômodo da nossa vida que ainda não havíamos visitado. Talvez não venha nos ensinar a ser alguém diferente, mas nos ajude a enxergar capacidades que já existiam em nós. Talvez não tenha todas as respostas, mas faça perguntas que nunca pensamos em formular.

E, de repente, começamos a experimentar coisas novas. Passamos a considerar possibilidades que antes pareciam distantes. Desenvolvemos coragem para fazer escolhas, aprendemos a conversar sobre sentimentos e percebemos que podemos construir algo sem precisar controlar cada detalhe do futuro.

Não porque o outro tenha se tornado responsável pelo nosso crescimento, mas porque o encontro criou condições para que ele acontecesse de outra maneira.

E se o melhor do amor for justamente isso?


Talvez seis meses não sejam suficientes para conhecer completamente alguém, descobrir todos os seus lados ou saber como uma relação vai se transformar com o tempo. O encantamento inicial não garante compatibilidade, e a intensidade dos primeiros meses não determina a qualidade de uma história.

Mas seis meses podem ser suficientes para viver experiências importantes, descobrir novas perspectivas e começar mudanças que terão consequências por muitos anos.

E talvez não faça sentido comparar esse período com anos de solidão, como se uma experiência precisasse ser superior à outra.

Há pessoas que florescem quando estão sozinhas. Há quem precise de um período de recolhimento para descobrir o que deseja. Há quem encontre no amor um incentivo para sair da inércia. E há quem precise aprender a estar consigo mesma antes de conseguir compartilhar a vida de maneira saudável.

Não existe um único caminho para amadurecer.

O que me parece bonito é pensar que, quando duas pessoas se encontram com reciprocidade, respeito e vontade genuína de construir, elas não precisam escolher entre crescer individualmente e crescer juntas.

Podem continuar tendo seus próprios sonhos, desenvolvendo suas habilidades e construindo suas identidades. E, ao mesmo tempo, podem criar uma história em que uma incentiva a outra a ir um pouco mais longe.

Talvez o amor não faça o tempo passar mais rápido. Talvez apenas aumente a quantidade de vida que conseguimos experimentar dentro dele.

E, se for assim, não precisamos que alguém nos salve da vida que temos. Podemos desejar alguém com quem a vida se torne ainda mais ampla.

Alguém que não nos prometa que tudo será fácil, mas que tenha vontade de aprender conosco. Que não precise ser responsável pela nossa felicidade, mas que encontre alegria em contribuir para ela. Que não tenha a missão de nos transformar, mas que esteja disposto a descobrir, ao nosso lado, tudo aquilo que ainda podemos nos tornar.

Porque, no fim, talvez não seja sobre crescer mais em seis meses do que cresceríamos em anos sozinhos.

Talvez seja sobre descobrir que algumas partes da vida podem ser vividas de um jeito completamente novo quando encontramos alguém que também quer caminhar na nossa direção.

E que sorte quando o encontro não nos afasta de quem somos, mas nos aproxima ainda mais de quem podemos ser.

E se seis meses ao lado de alguém pudessem transformar você mais do que anos sozinho?


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Meus looks preferidos do Coachella 2018

Heeey, pessoal! Tudo certo com vocês? Andei sumida daqui, sorry! Estava correndo atrás de algumas coisas e trabalhando bastante.


Bem, depois de quase duas semanas sem postar, resolvi trazer aqui para o blog os looks que eu mais gostei do Coachella 2018. Para quem ainda não sabe do que se trata o festival, no ano passado fiz um post contando tudo sobre ele e você pode ler clicando aqui.

O evento ocorreu no último final de semana no deserto da California, lugar que sonho muito em conhecer no futuro <3. Atualmente o festival tem se destacado muito pelos looks estilosos e cheios de personalidade no estilo boho. E como acompanhei muitas brasileiras que presenciaram o evento, selecionei looks das lindas Nah Cardoso, Agatha Braga, Julia Rodrigues, Jade Seba, Camila Coelho, Gabi Brandt, Giovanna Ferrarezi e Bianca Andrade. Confiram abaixo:


Das peças que se destacaram no evento teve muito jeans, kimono, track pants, cropped, tênis e as adoráveis botinhas cano curto. E ao que tudo indica as botas vermelhas e branca vão ser sucesso no Inverno 2018, muitas marcas estavam presentes nos looks de muitas brasileiras. Entre elas vi Petite Jolie, Via Marte, Vizzano e mais.








Acho que um look que usaria, seria o primeiro da Agatha Braga, que é cropped com shorts jeans, kimono e botinha, adoro esse tipo de combinação. E vocês, qual look gostaram mais e usariam? Me conta aí nos comentários! Grande beijo, Fran. 
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Estampas de tshirts que estão com tudo em 2017

Olá pessoal! Tudo certo com vocês? Essa semana fiquei bem ausente aqui, isso porque aproveitar o feriado para ir para o interior visitar minha família. Então a internet não estava lá essas coisas e queria aproveitar ao máximo a companhia dos familiares, haviam pessoas que eu não via a mais de sete anos.

O post de hoje é daquele tipinho que eu adoro, pois trata-se de uma peça que está sempre presente no meu closet e, entra ano e sai ano sempre está na moda: a tshirt. A cada ano que surge ela vem com estampas mais criativas e cool, logo 2017 não podia ser diferente. Este ano ela está bombando com uma pegada mais rocker, a tradicional estampa de banda que eu adoro. E também, com uma pegada mais clean, onde só aparece a marca estampada na tee.

A Tshirt tem seu brilho próprio, então algumas dicas para arrasar e inovar um pouco no look são:
  • Usar a manga dobrada, o que deixa o look com um ar mais descolado;
  • Outra coisa que gosto é de amarrar com um nozinho, quando estou usando cintura alta, acho que fica bem estiloso;
  • Voltada as tshirts mais rocker a dica é usar com saias, sejam com brilho, tecido mais firminho, ou até couro.
Como de praxe, separei algumas inspirações que encontrei no pinterest. Vejam como é fácil montar um look casual e divertido!








Que eu amo tee de banda não é novidade, mas sabem, estou louca para adquirir uma tee com a marca levis. Agora me contem, o que vocês acham dessa tendência?

Se quiser me acompanhar nas redes sociais:
Snap: franciklein | @blogdelirioscotidianos | Youtube
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