Mostrando postagens com marcador segurança emocional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador segurança emocional. Mostrar todas as postagens

Quando a presença de alguém traz paz

Quando a presença de alguém traz paz


Tem uma coisa curiosa que pode acontecer quando a gente começa a gostar de alguém: às vezes, a pessoa não precisa fazer absolutamente nada para mudar o nosso estado de espírito.

Não precisa dizer a coisa certa. Não precisa resolver um problema. Não precisa fazer um discurso bonito sobre o quanto gosta da gente. Às vezes ela só chega.

E, de repente, aquilo que estava pesado parece um pouco mais leve.

Outro dia eu estava em um daqueles dias em que tudo parecia me irritar. Eu estava cansada, impaciente, com pouca tolerância para qualquer coisa. Cheguei a pensar que seria uma péssima companhia e até fiquei com pena da pessoa que tinha combinado de me encontrar.

Mas ela chegou. Nós trocamos algumas palavras e, de uma maneira que eu não sei explicar muito bem, eu me acalmei.

Não foi uma mudança racional. Eu não pensei: “agora preciso ficar de bom humor porque ele chegou”. Simplesmente aconteceu. A presença dele me trouxe uma sensação de tranquilidade que eu não estava sentindo antes.

E fiquei pensando em como é bonito quando alguém consegue despertar isso na gente.

Não é sobre alguém salvar a gente


Existe uma diferença importante entre encontrar paz na presença de alguém e esperar que essa pessoa seja responsável pela nossa paz. Eu não quero um relacionamento em que uma pessoa precise consertar constantemente a outra.

Não quero precisar estar mal para procurar alguém que me coloque no eixo, nem quero que alguém dependa de mim para conseguir ficar bem. Cada um continua responsável pela própria vida, pelos próprios sentimentos e pelas próprias escolhas.

Mas acho bonito imaginar um relacionamento em que, mesmo sabendo cuidar de si, duas pessoas possam encontrar acolhimento uma na outra. Um lugar para descansar. Um abraço depois de um dia difícil. Uma conversa que não exige respostas perfeitas. Um silêncio que não precisa ser preenchido.

A sensação de poder chegar como você está, sem precisar estar sempre interessante, bonita, divertida ou de bom humor.

Talvez segurança seja poder baixar a guarda


A gente fala muito sobre paixão. Sobre frio na barriga, ansiedade, expectativa, mensagens, saudade, atração. E tudo isso faz parte. Mas existe uma sensação diferente que começa a aparecer quando o vínculo vai ficando mais profundo: a possibilidade de baixar a guarda.

Poder ser você mesma. Poder dizer que teve um dia ruim. Poder ficar quieta. Poder rir de uma coisa completamente idiota. Poder falar sobre assuntos sérios e, cinco minutos depois, cantar uma música boba no carro. Poder demonstrar carinho sem medo de parecer carente. Poder dizer “isso me machucou” sem transformar imediatamente a conversa em uma guerra.

Talvez segurança emocional tenha muito mais a ver com isso do que com nunca sentir medo de perder alguém. Porque gostar de alguém sempre envolve algum risco.

Você pode ser cuidadosa, pode escolher bem, pode construir confiança — mas não pode controlar completamente as escolhas de outra pessoa.

O que você pode construir é um relacionamento no qual os dois saibam que existe espaço para honestidade, respeito e cuidado.

Eu quero ser paz, mas não quero ser responsável pela paz dele


Talvez essa seja uma das coisas que mais tenho pensado.

Quando percebi que a presença de alguém conseguia me acalmar, tive vontade de que fosse recíproco. Quero ser aquela pessoa cuja presença também faça o outro respirar um pouco mais fundo.

Não porque eu queira ser indispensável. Não porque queira que ele precise de mim. Mas porque existe algo muito bonito em pensar:

“Quando o mundo estiver difícil, espero que estar comigo seja um pouco mais fácil.”

E gostaria de receber o mesmo. Não quero ser a mulher que precisa estar disponível vinte e quatro horas para resolver tudo. Quero ser alguém com quem ele possa descansar. E quero poder fazer isso também.

Talvez seja isso que significa ser um lugar seguro para alguém: não impedir que a pessoa sofra, mas fazer com que ela saiba que não precisa esconder o sofrimento para continuar sendo amada.

O amor também pode ser um lugar para voltar


Acho que, durante muito tempo, confundimos intensidade com profundidade. Se existe muita ansiedade, muita saudade, muita dúvida, muita emoção, parece que necessariamente existe muito amor. Mas talvez exista uma forma de amor que seja menos barulhenta.

Um amor que também tenha riso. Que tenha conversa. Que tenha desejo. Que tenha silêncio. Que tenha espaço. Que permita que duas pessoas continuem sendo indivíduos, mas escolham compartilhar a vida.

Um amor em que ninguém precisa abandonar a própria identidade para fazer o relacionamento funcionar. E talvez seja por isso que aquela sensação de paz tenha me marcado tanto. Porque eu estava acostumada a pensar no amor como aquilo que acelera o coração.

E talvez ele também possa ser aquilo que, de vez em quando, faz o coração desacelerar.

Não sei onde uma história assim vai chegar. Talvez essa seja justamente a parte bonita de ainda não saber. Mas sei que, se um dia eu construir uma vida a dois, gostaria que fosse assim:

que nós dois tivéssemos nossas próprias vidas, nossos próprios problemas e nossas próprias responsabilidades, mas que, quando estivéssemos juntos, pudéssemos sentir que não precisamos estar em guerra com o mundo.

Que eu pudesse ser um lugar seguro para ele. E que ele pudesse ser um lugar seguro para mim. 

Não uma fuga da vida. 

Um lugar de descanso dentro dela. 



QUERO LER O POST COMPLETO

Ciúme não é prova de amor — e vigilância não é segurança

Ciúme não é prova de amor — e vigilância não é segurança


Vou mentir. Ou melhor: vou escrever uma coisa que talvez eu ainda esteja tentando internalizar. Talvez seja uma espécie de mentira para mim mesma até o dia em que ela deixe de ser mentira e vire convicção.

É normal sentir ciúmes.

Acho que seria até estranho imaginar que alguém que amamos nunca sentiria aquele pequeno aperto no peito diante de alguma situação. Principalmente quando estamos mais vulneráveis, mais inseguras, cansadas, sensíveis ou simplesmente com os hormônios fazendo uma reunião extraordinária dentro da nossa cabeça.

Às vezes a pessoa ao nosso lado pode fazer tudo certo. Pode ser carinhosa, presente, transparente, respeitosa. Pode nos dar motivos concretos para confiar nela. E ainda assim, em determinado momento, alguma coisa dentro da gente pode disparar.

O problema começa quando a gente acredita que precisa fazer alguma coisa com esse sentimento.

- Investigar.

- Perguntar.

- Conferir.

- Observar curtidas.

- Interpretar silêncio.

Tentar descobrir quem aquela pessoa segue, quem ela olhou, quem comentou alguma coisa, por que demorou para responder. Como se, depois de descobrir informação suficiente, finalmente pudéssemos controlar o que o outro vai fazer. Mas não podemos.

E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis de aceitar sobre estar em um relacionamento: a pessoa que está com você continua sendo uma pessoa livre.

Você pode ser a melhor companheira do mundo e, ainda assim, não pode garantir as escolhas do outro.

- Pode amar muito.

- Pode ser bonita.

- Pode ser interessante.

- Pode estar presente.

- Pode respeitar.

- Pode fazer tudo o que estiver ao seu alcance para construir uma relação saudável.

E, ainda assim, se um dia o outro escolher ser desleal, essa escolha será dele. Não sua. Isso me faz pensar que talvez a pergunta mais importante não seja:

“Como faço para ter certeza de que essa pessoa nunca vai me trair?”

Mas:

“Eu estou em paz com a maneira como estou vivendo essa relação?”

Porque, no fim, a minha consciência é uma das poucas coisas que realmente estão sob o meu controle.

Se eu estou sendo leal, honesta, respeitosa e inteira naquela relação, não quero passar os meus dias tentando administrar o caráter de outra pessoa.

Porque quem quer ser desleal vai encontrar uma maneira de fazer isso. Não importa quantas perguntas você faça, quantas mensagens confira ou quantas vezes pergunte onde a pessoa estava.

Vigilância não cria caráter.

Controle não cria lealdade.

E ciúme não impede ninguém de fazer aquilo que já decidiu fazer.

Isso não significa aceitar qualquer coisa. Muito pelo contrário. Uma coisa é eu não querer viver em estado permanente de desconfiança. Outra é eu não ter limites.

Se um dia eu descobrir uma traição, eu posso até perdoar. Perdoar, para mim, não significa fingir que nada aconteceu. Também não significa necessariamente continuar oferecendo a mesma intimidade para aquela pessoa.

Eu acredito que posso perdoar alguém e, ainda assim, entender que aquela pessoa perdeu o acesso que tinha a mim. Porque confiança, para mim, é um dos pilares de uma relação. E quando ela é quebrada, alguma coisa muda.

Não importa o quanto a pessoa esteja arrependida. Não importa o quanto chore, prometa ou diga que nunca mais vai acontecer.

Talvez algumas relações consigam reconstruir a confiança depois de uma traição. Eu não sei.

Mas eu sei que não gostaria de permanecer em uma relação apenas porque tenho medo de perder alguém. Não quero amar alguém enquanto tento descobrir se deveria estar com medo.

Quero poder admirar quem está ao meu lado.

Quero respeito.

Quero lealdade.

Quero confiança.

Quero poder estar longe da pessoa sem transformar a distância em investigação.

E talvez essa seja a parte que eu ainda estou aprendendo: eu não preciso controlar alguém para estar segura. A minha segurança também precisa existir dentro de mim.

Porque se algum dia alguém escolher me trair, isso vai dizer alguma coisa sobre aquela pessoa. Não vai ser uma prova de que eu não fui bonita o suficiente, interessante o suficiente, carinhosa o suficiente ou boa o suficiente.

Às vezes a gente olha para uma traição e imediatamente pergunta:

“Mas o que eu fiz de errado?”

Talvez essa nem sempre seja a pergunta certa. Talvez a pergunta seja:

“Que tipo de escolha essa pessoa decidiu fazer?”

E existe uma liberdade muito grande em perceber isso. Eu posso amar alguém sem vigiar. Posso sentir ciúmes sem transformar o ciúme em comportamento. Posso ficar insegura em um dia ruim e, ainda assim, não construir uma história inteira em cima de uma emoção passageira. Posso confiar sem ser ingênua.

E posso perdoar alguém sem necessariamente devolver a essa pessoa o lugar que ela ocupava na minha vida.

No fundo, talvez amar alguém também seja aceitar que não temos controle absoluto sobre o que o outro fará. E confiar não é ter certeza de que nunca seremos machucados.

É saber que, se um dia alguém escolher nos machucar, nós continuaremos tendo a nós mesmas para voltar.



QUERO LER O POST COMPLETO

Pesquisar este blog