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04/11/2026
Pessoas medíocres ficam com pessoas medíocres? Talvez a questão seja outra
Recentemente, me deparei com um post que dizia que pessoas medíocres ficam com pessoas medíocres. Fiquei pensando naquilo por algum tempo, tentando entender se existe mesmo alguma verdade nessa afirmação ou se era apenas mais uma frase provocativa da internet, daquelas que parecem fazer sentido até começarmos a questioná-las.
Eu mesma já me envolvi em relações que não me faziam tão bem. Talvez porque tenha o hábito de enxergar nas pessoas aquilo que elas poderiam ser, em vez de prestar atenção suficiente naquilo que realmente demonstram ser. Existe uma diferença enorme entre reconhecer o potencial de alguém e construir uma relação inteira em cima dele.
Às vezes, a gente conhece uma pessoa, percebe algumas qualidades, gosta de determinadas conversas e começa a imaginar tudo aquilo que poderia existir ali. Damos o benefício da dúvida, relevamos algumas atitudes e esperamos que, com o tempo, a pessoa amadureça, se posicione ou simplesmente demonstre um pouco mais de consideração.
Mas existe um momento em que precisamos parar de nos relacionar com possibilidades e começar a olhar para a realidade.
Particularmente, nunca tive muita dificuldade em sair de situações nas quais me sentia desvalorizada. Posso até demorar um pouco para aceitar que as coisas não são como gostaria, posso sentir carinho, sentir falta e lamentar o que poderia ter sido. Mas, quando percebo que estou ocupando um lugar que não corresponde ao que desejo, não vejo muito sentido em permanecer.
Acho que isso tem relação com conhecer o próprio valor. E não estou falando daquela autoestima performática, de repetir frases bonitas diante do espelho ou acreditar que somos melhores do que os outros. Estou falando de entender que nossa companhia, nosso tempo, nossa atenção e nosso afeto também têm valor. E que não precisamos aceitar qualquer coisa apenas porque gostamos de alguém.
Depois de um tempo, fica difícil aceitar migalhas tão pequenas que mal poderiam ser chamadas de migalhas. Fica difícil se impressionar com um homem que aparece quando está carente, desaparece quando encontra outra distração e depois retorna como se estivesse oferecendo alguma coisa extraordinária.
E olha que não me considero uma mulher particularmente exigente.
Não faço questão de que alguém tenha determinada profissão, um salário específico ou um patrimônio para me interessar. Nunca enxerguei essas coisas como os principais indicadores de quem uma pessoa é. O que realmente me chama a atenção é outra coisa: aquela fome de viver, de construir, de aprender, de fazer acontecer. Gosto de gente que tem curiosidade pelo mundo, que possui interesses próprios, que se movimenta em direção à vida em vez de ficar esperando que ela aconteça.
Não precisa ser alguém que já conquistou tudo. Aliás, acho muito interessante conhecer pessoas que ainda estão construindo seus caminhos, que têm planos, que enfrentam dificuldades, mas não perderam a vontade de fazer alguma coisa com a própria existência.
Talvez seja isso que mais me atraia: movimento.
E, no campo afetivo, existe algo que considero igualmente importante. Gosto de pessoas que não precisam estar flertando com várias mulheres ao mesmo tempo para se sentirem interessantes. Que não precisam manter uma coleção de possibilidades em aberto para alimentar o próprio ego. Pessoas que conseguem demonstrar interesse sem transformar tudo em um jogo de validação.
Não espero perfeição, tampouco alguém que nunca tenha dúvidas ou inseguranças. Espero maturidade suficiente para entender que o outro não é um passatempo, uma fonte de atenção ou uma alternativa para os momentos de solidão.
E foi pensando nisso que voltei àquela frase sobre pessoas medíocres ficarem com pessoas medíocres.
Talvez eu tenha começado a entender o que me incomodava nela. Não sei se concordo que pessoas medíocres necessariamente se relacionam entre si. Conheço pessoas incríveis que já estiveram em relações péssimas, assim como conheço pessoas que, apesar de terem muitas qualidades, não sabem construir vínculos saudáveis.
Mas talvez exista uma mediocridade que não tenha absolutamente nada a ver com dinheiro, profissão, inteligência acadêmica ou posição social.
Existe uma mediocridade de comportamento. De quem não tem curiosidade em conhecer ninguém profundamente, de quem não consegue sustentar uma conversa honesta, de quem precisa da atenção de várias pessoas para se sentir validado. De quem prefere manter alguém por perto sem oferecer reciprocidade, porque é confortável receber carinho sem precisar assumir responsabilidade afetiva.
E talvez eu tenha passado a enxergar esse tipo de comportamento como algo muito pouco interessante.
Não porque me considere superior, mas porque simplesmente não combina com a vida que desejo construir.
Acho que, quando amadurecemos, nossos critérios mudam. Começamos a perceber que atração não é suficiente, que química não sustenta uma relação e que alguém pode até despertar nosso interesse sem necessariamente ter aquilo que procuramos para compartilhar a vida.
Também entendemos que não precisamos transformar toda pessoa interessante em uma possibilidade romântica. Podemos gostar de alguém e, ainda assim, reconhecer que não admiramos sua maneira de viver, suas escolhas ou a forma como trata os outros.
E talvez a admiração seja uma das coisas mais importantes para mim.
Quero olhar para alguém e sentir que existe alguma coisa ali que me inspira. Não precisa ser uma grande conquista, um currículo impressionante ou uma vida extraordinária. Pode ser a maneira como a pessoa trata os animais, como se dedica ao trabalho, como enfrenta os próprios problemas, como demonstra carinho ou como continua tentando mesmo quando as coisas não saem como planejado.
Quero alguém que tenha vontade de viver, não apenas vontade de ser desejado.
No fim, talvez a pergunta não seja se pessoas medíocres ficam com pessoas medíocres. Talvez seja se estamos escolhendo nossas relações com base naquilo que as pessoas realmente são ou naquilo que gostaríamos que elas fossem.
Porque existe uma diferença enorme entre dar uma oportunidade a alguém e insistir em alguém que já demonstrou não ter o que procuramos.
E, se conhecer o próprio valor significa alguma coisa, talvez seja justamente isso: entender que não precisamos diminuir nossas expectativas para caber na disponibilidade emocional de outra pessoa.
Não quero alguém perfeito. Quero alguém por quem eu consiga sentir admiração, alguém que tenha entusiasmo pela própria vida e que não trate o afeto como um jogo de conveniência.
Se isso é ser exigente, talvez eu esteja ficando mesmo.
E, sinceramente, não vejo problema nenhum nisso.

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