Economia: Entendendo por quê o Brasil foi rebaixado pelo S&P e Fitch

Oi gente! Bom, como falei num outro post, a partir de agora sigo um cronograma, ao menos uma vez na semana irei fazer um post de Economia. Quem achar chato pode passar batido, ou podemos entrar em um debate para entendermos melhor a visão de todos nós. Então vamos lá!

Caso você não acompanhe as notícias, sim: a economia do Brasil foi rebaixada por uma agência de classificação de risco chamada Standard & Poor's (S&P). Eu traduzi para vocês, do inglês as principais razões alegadas pela S&P para o Brasil descer do grau de investimento para o especulativo e vou tentar explicar melhor.

1 - Os desafios políticos que o Brasil enfrenta não pararam de aumentar, pesando sobre a capacidade e vontade do governo de apresentar ao Congresso um Orçamento para 2016 coerente com uma correção significativa de sua política, sinalizada na primeira metade do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Assim que eleita, Dilma sinalizou que cortaria gastos e reestruturaria a política fiscal do governo. Passados quase três trimestres o Brasil não consegue deixar de gastar e tem preferido aumentar impostos para tentar uma administração mais eficiente. E se não bastasse, ainda temos o descontentamento do eleitor com a presidente, que só cresce. Digamos que isso põe mais lenha na fogueira armada para sustentar o "fora dilma". Outro ponto, são os opositores do governo, surfando na onda pró-impeachment que atrapalha qualquer tentativa de ajuste fiscal nos instantes de lucidez do governo.

2 - A proposta orçamentária do governo para 2016 prevê mais uma alteração com relação à meta fiscal primária, menos de seis semanas após sua revisão para o baixo, o que significaria três anos consecutivos de déficit primário e divida líquida continuando a aumentar, se não forem tomas medidas relacionadas a receitas ou despesas.

Não precisava a S&P falar para constatarmos que em 2014 o Brasil gastou mais do que arrecadou de todos nós em impostos. E que, em 2015, tende a fazer o mesmo. E que, em 2016, adivinha só? O governo já prometeu repetir! (Essa é a interpretação da S&P).

3 - Estamos reduzindo o rating de BBB- para BB+

Para explicar o item acima entendam: cada agência de risco tem notas (o tal rating) para dizer se vale a pena ou não investir num país ou numa empresa. Que não é nada além de opiniões das pessoas responsáveis por isso, como o que vimos na crise de 2008, quando a água bateu na bunda os economistas da crise tiveram a cara de pau de justificar que essa nota era apenas suas opiniões. Bem, continuando, essas notas são divididas em dois grupos: grau de investimento (quando a agência recomenda investir) e grau especulativo (quando a agência não recomenda, por considerar riscos de o investidor aplicar ou emprestar dinheiro e não obter a grana de volta).

4 - A perspectiva negativa reflete a nossa avaliação de que a probabilidade de um novo rebaixamento é maior do que 1 em 3, devido a uma maior deterioração da posição fiscal do Brasil, potencial inversão de políticas-chave, dado a dinâmica da política, incluindo ainda mais falta de coesão no gabinete da presidente, ou devido à uma crise econômica maior do que esperamos atualmente.

Acho que vocês já podem imaginar o que o S&P prevê para o futuro econômico do Brasil. Logo o rebaixamento do Brasil na agência de risco Fitch não foi nenhuma novidade. Era só questão de tempo.

Como estávamos na Fitch dois degraus acima da categoria de "grau especulativo", ainda não perdemos o grau de investimento para essa agência, como no caso da S&P. Mas isso ainda vai acontecer.

Por dois motivos. Primeiro, por causa do imbróglio fiscal e da crise política, que parecem não ter fim. Segundo, a Fitch não só rebaixou a classificação do país para a nota BBB-, na beira do "grau especulativo", como também carimbou em nossa testa uma "perspectiva negativa".

Bem, isso significa que se as coisas não mudarem logo para melhor, a nota voltará a ser reduzida. Note: não basta evitar que a situação piore. Ela precisa melhorar. Lembrando que essas avaliações opiniões e notas implicam em menos entrada de recursos no país e taxas de juros mais altas. O que não é assim tão bom para o atual momento da economia do Brasil.

Mas se pegarmos os países avançados, para eles as classificações de risco não importam. Para o Brasil e outras economias emergentes pode até ter algum efeito, mas bem menor que antigamente. É importante frisar que não há informação nenhuma nessa nota, nada que dê fato uma boa sustentação, as agências não possuem nenhum informação que nós não consiga acompanhar nos jornais e dados. Portanto, isso pode ter algum efeito porque alguns investidores são obrigados a considerar o rating para montar seus portfólios. Mas cá entre nós, eu acho que isso não seja grande coisa na situação atual. Isso apenas gera manchete e muita discussão, principalmente para os opositores do governo, mas são coisas que não importa, o que importa é a percepção. Entenderam? E qual é a opinião de vocês sobre isso?

Um comentário:

  1. Fran! que papo cabeça. Eu confesso que sou uma lesa total em questões de economia, mas acredito que, até os mais leigos dos leigos ~ tipo eu ~ consegue perceber que o Brasil enfrenta uma fase difícil e que a economia tá "braba". Apesar de todas as promessas de diminuição de taxas e afins, como muitas vezes escutamos por aí, sabemos que a realidade foi bem outra e na verdade os impostos estão abursos, as taxas cada vez mais alta, e viver no brasil acaba sendo cada vez mais difícil. Não entrarei em muitos detalhes porque posso estar falando abobrinha, uma vez que sou uma zero à esquerda nesse assunto haha mas acredito que, essa perspectiva negativa que estão falando do brasil, está mais que certa e, acho bom a gente se preparar para momentos teeensos, uma vez que não existe um governador pra tirar o povo da mierda ~ ainda!.
    beijo, lê

    osbeneficiosdebebercafe.wordpress.com

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